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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Lars von Trier diz que "Anticristo" é seu melhor trabalho e talvez tenha razão

“Anticristo” é um filme perturbador, comparável a “O Iluminado”, que Stanley Kubrick fez em 1980. Ponto de contato entre eles é a colocação de um casal numa montanha, incomunicável em relação ao mundo externo. E junto deles o filho pequeno. Se na obra de Kubrick, o menino está vivo e interfere na trama, no filme do dinamarquês Lars Von Trier ele só aparece na primeira cena, mas provoca tudo o que acontece a seguir.
Isolados assim do resto da humanidade, os dois personagens passam a representar homem e mulher de modo geral, ao mesmo tempo empenhados em conviver e a levar adiante a chamada de guerra entre os sexos, tal como foi trabalhada por August Strindberg. Para Von Trier, esse dramaturgo sueco (1849-1912) forneceu alguma inspiração, assim como os relatos sobre o medo das bruxas e a sexualidade feminina como expressão do mal. Nessa batalha entre Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, Von Trier perdeu a Palma de Ouro e ela ganhou o prêmio de melhor Atriz em Cannes.

Mas o essencial na produção do mal estar que o filme causa se encontra na dimensão formal, especificamente na montagem. Assim como fez Stanley Kubrick, inicialmente Von Trier oferece ao espectador uma certeza que vai se dissolvendo no decorrer do enredo. Isso numa atmosfera visual sombria e angustiante, como nas novelas góticas de May Shelley, Bram Stocker e Edgar Poe. “Anticristo” não usa computação gráfica, mas vai fundo na construção do horror, na linha de F.F. Coppola, em “Drácula” (1992).

Anticristo Antichrist
Dinamarca/Alemanha/França/Suécia
estreia 28/08/2009
2009 – 110 minuntos
Gênero horror / suspense
Distribuição California Filmes
Direção Lars von Trier
Com Willen Dafoe e Charlotte Gainsbourg
Prêmio de Melhor Atriz em Cannes 2009

5 comentários:

Anônimo disse...

Luciano.
Fui ver esse filme baseada em sua crítica. Gostei muito, assim como de Dogville. É uma trama muito intimista e perturbadora. Apesar da heroína ser supostamente má, não justifica a perseguição às mulheres de sua tese, na Idade Média e em tantas outras ocasiões e religiões.
Regina

Anônimo disse...

ridiculo.
horrivel.
e vc é mais equivocado ainda de compara-lo com o iluminado.
A unica coisa que salva o filme é a filmagem e edicao.
Adeus. nunca mais volto aqui.

rosana disse...

Olha, eu gostei mto do filme.
E tb por ser uma homenagem a Tarkovski.
Mto bonito visualmente o filme, embora até seja desconcertante em certas cenas, mas essa foi a proecupação.
Eu esperava detestar o filme, mas gostei.
E sutil ao mostrar o lance das fotos do menino pra mostrar o quanto a mãe era um bocadinho descuidada mesmo.
Mas não é filme pra qualquer um mesmo.
Tipo, o filme não é horror como tentam vender.
Acho que seja o melhor do Lar Von Trier em anos.

rosana disse...

Inclusive a fotografia do filme e a casa nos remete um pouco ao O SACRIFÍCIO de Tarkovski, inclusive deu vontade de rever Tarkovski.
O interessante é a natureza da mulher ir sendo revelada aos poucos como as cenas finais no flashback e então entendemos um pouco de sua conduta em relação à criança que morreu.
E a atriz certas horas bem corajosa mesmo ao se expor fisicamente, ficar desfigurada mesmo...

Almeida José R. disse...

muito bom.... além do tema, em cenas de suspense ser semelhante ou o mesmo de solaris... também do tarkovski