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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sean Penn é um "Franco Atirador" que tenta se regenerar neste filme médio

O filme começa e termina com trechos extraídos de noticiários internacionais de televisão, sobre a violência em países africanos, envolvendo terrorismo e regimes ditatoriais. Ou seja, O Franco-Atirador é uma aventura de ação policial que não se contenta em ser apenas uma distração bem construída, mas almeja ser considerada uma obra histórica, ou um drama político.
Para ter certeza disso, basta observar o elenco liderado por Sean Penn (de Milk e 21 Gramas) e Javier Barden (de Mar Adentro e Onde os Fracos não tem Vez), em cujo curriculum predominam roteiros engajados ou assinados por cineastas de indiscutível prestígio cultural, como Gus van Sant, Woody Allen, Alejandro Inarritu, ou Almodóvar.
Este O Franco-Atirador é dirigido pelo francês
Pierre Morel, que é conhecido pela desmedida violência e o sucesso na bilheteria de filmes como “Busca Implacável” de 2008. Mas agora, neste thriller pretensamente político, ele que é uma espécie de cria do pirotécnico Luc Besson, se mostra interessado em colocar questões de caráter ético e humanitário – além da pancadaria de sempre. Os personagens de Sean Penn e Javier Barden são mercenários aposentados que há oito agiam no Congo, onde praticavam as maiores barbaridades – inclusive assassinatos de autoridades. Agora, enquanto Sean Penn se mostra digamos “regenerado” e namora uma linda voluntária numa associação beneficente. 
Ela é interpretada pela italiana Jasmine Trinca, que vimos em “O Quarto do Filho”, de Nani Moretti em 2001. Apesar de toda essa maquiagem, entretanto, o filme vale pela riqueza da encenação, que inclui até uma perseguição dentro de uma tourada em Barcelona. Quase tão bem feita quanto aquela que foi ambientada num estádio de futebol, pelo argentino Juan Jose Campanella em “O Segredo dos Seus Olhos”. O detalhe é que, em Barcelona, não existem mais touradas. 



Estreia 07 de maio de 2015
COTAÇÃO 
**

REGULAR 

"Estrada 47": aquele filme nacional esperado desde o fim da Segunda Guerra


Um dos efeitos da ditadura militar foi a rejeição, a antipatia do povo brasileiro para com o sentimento de patriotismo. Na medida em que os generais transformados em políticos se apropriavam dos heróis nacionais, caía o interesse, ou seja, a identificação dos cidadãos para com as figuras fardadas da nossa história. Mas agora parece que essa situação começa se modificar com filmes como A Estrada 47. Dirigido por Vicente Ferraz, que estudou cinema em Cuba e foi premiado em 2005 pelo documentário “Soy Cuba, o Mamute Siberiano”, trata-se de uma impressionante reconstituição ficcional de um episódio dramático na campanha da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial.

Naquela Guerra, o Brasil era aliado dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Mais de 25 mil soldados da FEB foram enviados para lutar contra os nazistas, numa Itália em que o regime de Mussolini já fora derrubado. O filme focaliza um grupo de pracinhas que sofreram um ataque perto de Monte Castelo e, tomados coletivamente pelo pânico se afastaram de seu pelotão. Esses papéis são muito bem defendidos por Daniel Oliveira e Julio Andrade, mas é Francisco Gaspar que chama mais atenção, pelo lado cômico do seu personagem.


Com medo de enfrentar uma corte marcial por abandono de posto, decidiram não regressar ao seu batalhão e sair em busca de uma estrada que se achava minada. O objetivo era desarmar as minas e desbloquear o caminho para facilitar a passagem das tropas americanas. Nesse trajeto, esses quatro soldados e um jornalista encontram famílias locais em fuga, além de desertores alemães e italianos. Mais do que uma aventura militar, portanto, A Estrada 47 traça um retrato humano daquele conflito. 

estreia 07 05 2015
COTAÇÃO
* * * 
B O M

Comédia de Daniel Filho, como sempre de bom nível: "Sorria, você está sendo filmado"

A ideia de fazer uma comédia de longa metragem com apenas uma câmera fixa, diante da qual os personagens se movimentam, sem saber que ela se acha ali ligada e filmado tudo, poderia parecer inviável. Mas Daniel Filho está apenas adaptando um filme pelo qual diretor sérvio Miroslav Momcilovic foi premiado em 2012 no Festival de Karlovy Vary. A versão brasileira se chama Sorria, Você Está Sendo Filmado. 
Um redator da Rede Globo resolve gravar a imagem de seu próprio suicídio por meio de uma web câmera. Evidentemente, depois do tiro fatal, essa câmara continua funcionando e então, começa a comédia, porque uma série de 15 figuras engraçadíssimas desfila diante dela. Primeiro aparecem o síndico Otávio Augusto e sua mulher Suzana Vieira, uma ex-atriz de novelas – ambos perfeitos. Depois vem o porteiro Lázaro Ramos, o agente funerário Lucio Mauro Filho, o corretor de imóveis Marcos Caruso, o policial Juliano Cazarré e até Debora Secco, no papel de médica. 
Aparentemente simples e de natureza teatral, o filme deve ter dado muito trabalho ao diretor, principalmente para manter a unidade visual da cena e o ritmo adequado de comédia, com a entrada e saída constante dos vários personagens. A graça o filme, porém, aumenta depois que eles descobrem a existência da câmara.
A partir daí o comportamento de cada um se transforma e todos começam a interpretar papéis. Por exemplo, o policial passa a falar baixo e agir com delicadeza, enquanto a ex-atriz se veste de preto e recita poemas trágicos. A própria rede Globo, enfim, é tratada como um personagem virtual, porque além de ser a proprietária da famigerada web câmera, é responsável pela excelente piada final de Sorria, Você Está Sendo Filmado.

estreia 07 05 2015
COTAÇÃO
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B O M

Filmes novos em 07 maio 2015

Esta é uma safra bastante especial, em que a maioria dos filmes novos é feita de títulos atraentes e que merecem ser vistos. E isso vale principalmente para os brasileiros, que nesta semana, são maioria na programação.

http://mais.uol.com.br/view/1xu2xa5tnz3h/trailer-do-documentario-ultimas-conversas-de-eduardo-coutinho-04020D9A3266CCA15326?types=A& 
De cortar o coração, ver o querido Eduardo Coutinho em seu derradeiro trabalho, que tem o título de Últimas Conversas. Desta vez, o tema das conversas é o mundo interior de um grupo de estudantes do ensino médio em escolas públicas no Rio de Janeiro. E ali, na sala vazia em que se encontram o velho mestre e aqueles jovens, todos partilham de uma epifania inesquecível.


https://www.youtube.com/watch?v=WtlIvj3URMw
Se a direção dessa comédia é de Daniel Filho, pode contar que Sorria, Você Está Sendo Filmado apresenta uma qualidade cinematográfica acima da média. Chega até a ser, com perdão da palavra... “experimental”. Durante os 80 minutos do filme, há uma única tomada, sem nenhum corte, nem mudança de enquadramento. Diante uma câmara imóvel, desfilam 15 personagens – todos eles engraçados, na pele de gente como Lázaro Ramos, Otávio Augusto, Suzana Vieira e Lucio Mauro Filho.


https://www.youtube.com/watch?v=OIWRIJIMKUM 
Num sentido diametralmente oposto, Vicente Ferraz, que foi premiado em 2005 pelo documentário “Soy Cuba, o Mamute Siberiano”, lança A Estrada 47 – com a impressionante reconstituição ficcional de um episódio dramático na campanha da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial. No elenco, Júlio Andrade, Daniel de Oliveira e muita vontade de turbinar o nosso patriotismo. 

Lançado de modo injustamente tímido na semana passada, um dos melhores filmes nacionais exibidos até agora em 2015 continua em cartaz por mais uma semana. Trata-se de Casa Grande de Fellipe Barbosa, um documentarista e montador que, apesar de iniciante na direção, revela uma grande capacidade de síntese e de observação social. O protagonista é um adolescente superprotegido pelo pai rico que, de repente, vai à falência e se transforma num novo pobre. 


Sobre o tema da transformação, há também De gravata e Unha Vermelha, um documentário dirigido pela psicanalista Miriam Chnaiderman, que investiga a reinvenção da sexualidade, por meio de personagens como o cartunista Laerte.  

 https://www.youtube.com/watch?v=IMN4KX6BIpY
Bem, vamos agora abrir um espaço para o cinema internacional, com Winter Sleep, um filme turco, dirigido por Nuri Bilge Ceylan, que ganhou a palma de ouro de 2014 em Cannes. Junto com o polonês “Ida” e com o russo “Leviatã”, esta obra ambientada na gelada Anatólia central representa o reerguimento do cinema no leste europeu. 

(https://www.youtube.com/watch?v=e8qgWq1qRdA  )
O Franco-Atirador
é dirigido pelo francês Pierre Morel, que é conhecido pela desmedida violência de filmes como “Busca Implacável” de 2008. Mas agora, neste thriller quase político com Sean Penn e Javier Bardem, ele que é uma espécie de cria de Luc Besson, se mostra interessado em colocar questões de caráter ético e humanitário – além da pancadaria de sempre.
https://www.youtube.com/watch?v=4aPtAgxAibg
E finalmente, um pouco de humor inglês com O Exótico Hotel Marigold 2, do mesmo John Madden que fez o primeiro da série em 2011 e se celebrizou por “Shakespeare Apaixonado de 1998. Além de seus antigos moradores como Judi Dench e Maggie Smith, o hotel passa a contar com a presença do quase adolescente Richard Gere. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Filmes novos lançados na semana iniciada em 09 abril de 2015

Parece mentira, mas nesta semana a quantidade de lançamentos caiu sensivelmente. Trata-se um golpe de sorte para o 20º Festival É Tudo Verdade, que atualmente é um dos mais importantes eventos do mundo, dentre aqueles dedicados ao gênero documentário. O Festival começa hoje e se prolonga até o dia 19 deste mês. Em sua abertura, teremos a pré-estreia mundial de Últimas Conversas, o derradeiro filme do mais prestigiado documentarista brasileiro, que é Eduardo Coutinho (foto acima), falecido em fevereiro do ano passado.



https://www.youtube.com/watch?v=RUasyqVhOuw 
Em Últimas Conversas, Coutinho procura entender o que pensam, com o que sonham e de que modo os adolescentes de hoje se colocam perante o mundo. Mesmo que o roteiro se resuma a uma série de conversas, o filme é pura emoção e deverá chegar aos cinemas no mês que vem. Durante o Festival, podemos vê-lo amanhã no Cine Livraria Cultura, às nove da noite, e no dia 19 às 5 da tarde.


http://www.imdb.com/title/tt2224026/?ref_=fn_al_tt_1
Só hoje estreia Cada um na sua Casa, um desenho animado da Dreamworks que estava anunciado para a semana assada. Com direção de Tim Johnson, que dirigiu “Os Sem Floresta”, o filme parte de uma ideia curiosa. Ou seja, a Terra é invadida por alienígenas pacíficos, tão bem comportados que ninguém percebe a sua existência. Até que um deles entra sem querer em contato com uma garota terráquea.



http://www.imdb.com/title/tt1361318/?ref_=fn_al_tt_1
Também estreia o drama inglês de crime e suspense Risco Imediato, com James Franco e Kate Hudson que, por acaso, encontram uma mala cheia de dinheiro. E com isso, em lugar da felicidade, só se envolvem com perigo e confusão. O diretor é o dinamarquês Henrik Ruben Genz, considerado um especialista nesse gênero.



https://www.youtube.com/watch?v=w4AiGLAwG3E
Do renomado diretor francês Paul Vecchiali, bastante ativo dede os anos de 1960, temos Noites Brancas no Pier, uma narrativa poética baseada em obra de Dostoievski. Um rapaz se apaixona por uma moça que fica sempre num mesmo lugar, à beira do cais, à espera o homem de sua vida. Um dia porém chega a realidade, isto é, aquele homem tão esperado.



https://www.youtube.com/watch?v=maj-C6d35qE
Há ainda o lançamento de uma comédia leve mexicana chamada Club Sanduich (foto abaixo), do jovem diretor Fernando Eimbcke – ele que teve o seu primeiro filme "Temporada de Patos" bem recebido em Cannes no ano de 2004. Este filme focaliza um adolescente que experimenta seu despertar sexual durante as férias que ele passa em companhia da mãe sua mãe. O estilo de humor do Fernando Eimbcke segue aquela linha meio minimalista do brasileiro “Porta dos Fundos”. 



sábado, 28 de março de 2015

Em DVD pela Versátil uma preciosidade: "O Grito", a biografia do pintor Edvard Munch.


Em 1964, o publicitário Peter Watkins foi contratado pela BBC para realizar filmes históricos, dando início ao gênero docudrama, que pode ser definido como uma forma híbrida entre a ficção e o documentário.
https://www.youtube.com/watch?v=e2BVeAz4Vzg
O primeiro foi “Culloden” sobre uma revolta no século XVIII, mostrada como numa reportagem. No ano seguinte, Watkins ganhou o Oscar de melhor documentário com “O Jogo da Guerra” (FOTO ACIMA), em que ele imaginava como seria uma explosão nuclear na Inglaterra.


https://www.youtube.com/watch?v=WcmZ1vhoqkY
De tão impressionante, a BBC não exibiu o filme na TV, mas apenas nos cinemas. Watkins resolveu então dedicar-se ao cinema comercial.


https://www.youtube.com/watch?v=v_dZEky0KAw
E assim fez “Privilégio” (FOTO ACIMA), um dos mais importantes filmes de ficção científica dos anos de 1970. Cada vez mais desgostoso com a Grã Bretanha, o cineasta foi para a Noruega filmar a vida e a obra do pintor Edvard Munch (FOTO ABAIXO), que morreu em 1944 aos 81 anos.

https://www.youtube.com/watch?v=VQ5Ui8rlttM
Munch é autor de “O Grito”, esta que é uma das mais emblemáticas telas de todo o Expressionismo. E o filme resultou numa obra prima absoluta do docudrama, até então inédita entre nós e agora lançada em DVD. 
Fiel ao seu estilo, Watkins trabalhou com atores não profissionais. Estes não interpretavam, mas praticamente se transformavam em boa parte dos personagens secundários, que eram entrevistados como num documentário. Por exemplo, para fazer o papel dos críticos de arte que não aprovavam o trabalho de Munch, foram contratados críticos de hoje que têm a mesma opinião sobre ele. O filme constrói a tese de que Munch foi o primeiro dos expressionistas autênticos. E analisa as suas obras de uma maneira perfeitamente integrada à sua história de vida. 


https://www.youtube.com/watch?v=VQ5Ui8rlttM
Nela se destaca a presença da tuberculose, dos intermináveis conflitos com o pai tirânico e puritano, além da frustração amorosa com uma mulher mais velha. Com quase quatro horas de duração, Edvard Munch nos proporciona uma fascinante viagem sensorial ao mundo opressivo em que ele viveu. Uma tragédia construída sem um pingo de poesia ou literatura... só com fragmentos brutos da realidade. 




nossa cotação

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EXCELENTE

sexta-feira, 27 de março de 2015

Minha alma canta! Vejo um filme brasileiro... Braços abertos para Julia Rezende!

Vai aqui uma recomendação para quem vem alimentando certo preconceito – talvez até compreensível, por conta do recente excesso de comédias burlescas e dramas ensanguentados de tráfico e favela. O nosso conselho é tente a ponte aérea! 

 https://www.youtube.com/watch?v=G3B31f0jM_k
Não falo do avião com destino ao Rio de Janeiro, mas do encantador filme de Julia Rezende, cujo título é “Ponte Aérea”, protagonizado por Caio Blat e Leticia Colin. O tema central é uma envolvente história de amor vivida por uma publicitária paulista e um artista plástico carioca. 

https://www.youtube.com/watch?v=G3B31f0jM_k

Antes de completar 30 anos, a diretora Julia Rezende já emplacou fenômenos de bilheteria, como “Meu Passado me Condena”. Mas esta é uma comédia leve e inteligente, com boas pitadas de suspense, que lembra os filmes que Domingos de Oliveira fazia nos anos de 1960 com Leila Diniz e Paulo José. 

ttps://www.youtube.com/watch?v=xmA2Jx8KLMU 

https://www.youtube.com/watch?v=LqRMjyCdbvw
Filha dos cineastas Sergio Rezende e Mariza Leão, Julia Rezende soube muito bem aproveitar criticamente os estereótipos costumeiros sobre as diferenças entre o povo das duas cidades. 
 Na estrutura do filme, os personagens vivem conflitos agrupados em questões ligadas ao amor e ao sexo, ao trabalho e ao lazer, à criatividade e à disciplina no trabalho. Com o apoio competente de Felipe Camargo, Emilio de Mello e Cristina Flores no elenco, o filme mostra que a distancia cinematográfica entre São Paulo e Rio de Janeiro talvez seja muito maior do que os 400 km de Via Dutra. Por outro lado, pode nem existir no mundo real. 

estreia 26 03 2015
nossa Cotação

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Ó T I M O