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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Mais que um documentário, "Awake - a Vida de Yogananda" é um ensaio sobre esse guru .

Quase 70 anos após a publicação do livro “Autobiografia de um Yogue”, a associação fundada por seu autor decidiu produzir um longa metragem sobre ele, o guru Paramahansa Yogananda. Ele morreu em 1952 depois de ter fundado a Self Realization Fellowship, isto é, a associação que financiou este “Awake”, ou seja, “Desperto”, e que resolveram deixar assim mesmo em inglês, com o subtítulo : “A Vida de Yogananda”.
O filme é mais diretamente indexado como documentário, porque descreve a trajetória desse sábio indiano com impressionante abundância de registros em matéria de fotos e filmes nos quais ele aparece ensinando o que se chamava de Kryia Yoga – uma modalidade de prática que também trabalha com exercícios físicos, no entanto, atribui mais importância à meditação e às técnicas de purificação do organismo. 

Na verdade, Yogananda se diferencia de outros mestres indianos por ocupar uma posição intermediária, entre todos esses que difundiram a sua doutrina no Ocidente. Não fundou uma linha devocional ou religiosa, como esta que é professada pelos Hare Krishna de Prabupada. E nem uma filosofia que se pratica com o corpo e com a mente, como fazem as escolas de Pattabhi Jois e Ayengar. Principalmente, preocupou-se em atribuir uma conotação quase ecumênica ao estabelecer pontes doutrinárias entre o cristianismo e o Yoga antigo bem como, entre a ciência moderna e a espiritualidade milenar. De certa maneira, ele abriu caminho para o que hoje se chama de física quântica. 
E não vacilava em estimular tanto o isolamento do eremita quanto o ativismo político. Ele que criticou o racismo nas leis americanas nos anos de 1930, foi para a Índia dar apoio ao Mahatma Ghandi em sua luta pela independência na década seguinte. (FOTO ACIMA) E tentou se comunicar em Hollywood com os artistas de cinema. Foi de artistas como George Harrison, bem mais tarde, que veio o apoio mais importante. Dirigido pela experiente documentarista Lisa Leeman, o filme alterna momentos de jornalismo histórico com explicações muito claras sobre o pensamento do protagonista. Principalmente coloca Yogananda em ação, tirando partido de uma impressionante presença física e da indescritível ambiguidade em seu olhar. E em sua voz, que se exprime num inglês esquisito – provavelmente parecido com aquele falado pelos soldados britânicos quando chegaram à Índia em meados do século XVIII. 

“Bem Casados” é realmente a melhor e mais engraçada comédia brasileira de 2015!

Como personagem central de “Bem Casados”, Alexandre Borges é um produtor e diretor de filmes. No entanto, ele não faz longas-metragens e nem comerciais. Filma casamentos, mas, além de documentar a cerimônia, ele precisa contar a história, ou seja, criar uma ficção em torno da festa. Em outras palavras, é exatamente isso o que filme de Aluizio Abranches está nos oferecendo. https://www.youtube.com/watch?v=0w8B0k-C_Sw
Abranches, dirigia filmes densos e complexos como “As Três Marias”, de 2002. Mas com esse “Bem Casados”, parece que ele não fez outra coisa no cinema do que comédias. Isso pela desenvoltura com que as sequencias se manifestam: aparentemente sem esforço algum por parte dos envolvidos nas filmagens. Aliás, a agitação frenética de algumas tomadas só permite que a montagem funcione se forem bem dirigidas. Cenas de intensa movimentação fazem da narrativa um vaudeville sem fim, mas com meio e começo.

A confusão começa quando o diretor do filme do casamento se envolve com a sua própria antagonista, isto é, uma pessoa decidida a impedir a realização da cerimônia. Essa é a personagem de Camila Morgado, numa das atuações mais eficientes e inspiradas do momento. Trata-se de uma figura tresloucada, vivendo uma espécie de alucinação como se fosse um projeto, que é o de impedir o casamento de seu amante. Mesmo assim, Camila consegue atribuir verdade e convicção a essa pessoa assim transtornada. E além de tudo fotografa como as divas do passado, obtendo sempre a melhor expressão para cada ângulo. Especialmente quando participam aqueles olhos azuis...

Alexandre Borges também acerta. Assim como o padre, a empregada, a assistente e especialmente a sogra magistralmente composta por Rosi Campos. A natural identificação entre o diretor do filme do casamento e o diretor do filme “Bem Casados” afasta de Aluísio Abranches o perigo de qualquer pretensão intelectual. E assim, junto com o elenco como um todo, ele pode se movimentar à vontade e fazer um bom cinema. Como aquele que faziam Jean Arthur, Cary Grant, Claudette Colbert e Clark Gable. Porque, na língua de Shakespeare, “to play” quer dizer interpretar. Mas também se traduz por jogar, interagir ou simplesmente brincar. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ainda em cartaz um dos melhores filmes de 2015: "A Ponte dos Espiões" de Spielberg

Numa lista oficial dos diretores mais bem sucedidos do ponto de vista financeiro, Steven Spilberg ocupa o primeiro posto. Entre 1990 e 2015, seus filmes renderam quase quatro bilhões de dólares. E o seu último trabalho, A Ponte dos Espiões prova que além de dinheiro, Spielberg sabe mesmo é fazer cinema. Pra início de conversa, ele contratou como roteiristas ninguém menos que os irmãos Coen, cineastas e autores de sucessos como “Fargo” e “Onde os Fracos não tem vez”.
Em 1957, portanto, no auge da Guerra Fria, um advogado americano vivido por Tom Hanks é intimado pelo governo a defender um acusado de espionagem – isto é, o lutar em favor do inimigo público número 01 daquele tempo. Aparentemente o filme serviria apenas para dizer que lá nos EUA tudo é feito para garantir os direitos civis, até mesmo os de bandidos estrangeiros. Mas Spielberg adota um ponto de vista mais profundo e faz A Ponte dos Espiões um comovente épico moral. Isto é, uma batalha em que diferentes modalidades éticas se digladiam.
Desenvolvida rigorosamente a partir de acontecimentos históricos, a narrativa se passa num momento dos mais nervosos da Guerra Fria, quando os soviéticos mandaram erguer na Alemanha Oriental uma barreira que ficou conhecida como o Muro de Berlim. O FBI descobriu e prendeu Rudolf Abel, um espião que trabalhava em Washington para a União Soviética. Foi uma operação que potencializou a crescente paranoia do povo americano quanto a proximidade de um conflito nuclear.


O governo do republicano Eisenhower decidiu processá-lo pelo crime de espionagem. No entanto, o seu julgamento deveria ser justo, ainda que todos os americanos quisessem vê-lo condenado. E o defensor do agente russo não deveria ser um advogado do estado, mas um particular, um profissional de carreira. Interpretado por Tom Hanks, o escolhido foi Jim Donovan, que levou a tarefa a sério e conseguiu evitar a pena de morte, sendo o réu condenado à prisão perpétua.
O tema é semelhante ao de “Conspiração Americana”, que Robert Redford dirigiu em 2010, sobre o julgamento da dona da casa, onde morava assassino do Presidente Abraham Lincoln. Aparentemente, ambos os filmes fazem o elogio, mas apontam a fragilidade de um sistema político que procura respeitar os direitos individuais. Mas Spielberg foi mais a fundo e em sua segunda parte, o filme ganha uma estatura dramática mais elevada. O fato é que logo em seguida, um avião americano foi abatido numa missão de espionagem no leste europeu e o seu piloto Gary Powers capturado pelos soviéticos. A partir daí, o entrecho assume um rumo diferente e, assim, logo após a prisão e o julgamento de um agente soviético que atuava em Washington, o piloto americano Gary Powers, que voava em missão de espionagem, foi capturado no Leste europeu. 


Na primeira parte deste épico moral, o estoico e persistente advogado interpretado por Tom Hanks consegue salvar da cadeira elétrica o misterioso espião comunista Rudolf Abel -- magistralmente incorporado pelo ator inglês Mark Rylance (FOTO ACIMA), que já interpretou Leonardo da Vinci num seriado de TV. Agora no segundo ato, o advogado Tom Hanks é intimado a completar o serviço e coordenar o processo de troca do agente russo pelo piloto americano.
Depois de enfrentar os próprios integrantes da justiça americana, por não terem a menor boa vontade para com aquele funcionário da KGB que conspirava para lançar bombas atômicas sobre a América, o advogado precisa driblar a incompreensível e desumana burocracia comunista. Tratava-se não apenas de cumprir a missão que recebera de Washington, mas de fazê-lo em sigilo absoluto e sem, esperar qualquer compensação financeira.
(ABAIXO:A CONSTRUÇÃO DO MURO DE BERLIM)


Além de conduzir a narrativa com a simplicidade e a segurança de quem não precisa provar nada, nem ao público e muito menos aos críticos, o mérito maior de Spielberg foi desenhar o seu protagonista sem nenhum traço de heroísmo óbvio ou artificial. 
(ABAIXO, O DIRETOR NO SET DE FILMAGEM) 
Trata-se de um profissional capaz de vencer apenas por executar o seu trabalho de modo honesto e empenhado. Os Irmãos Coen demonstram a sua de habilidade como roteiristas, ao compor a inusitada personalidade do espião comunista vivido por Mark Rylance. Esse ator fez o papel de Leonardo da Vinci na TV e, talvez por coincidência, o espião é colocado como um pintor figurativo. É ele que avalia e qualifica o personagem do advogado Tom Hanks, por meio de palavras e também de um retrato: o mesmo que, aparece no cartaz do filme. O desenho não embeleza nem faz a caricatura do herói, apenas registra a as rugas e a tensão no rosto de alguém que não esconde os conflitos interiores e o medo que sente, mas que não se nega a agir.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Duas décadas depois do anunciado, estreia "Chatô" e acaba a novela

Hoje se encerra uma triste novela que há quase duas décadas vinha assombrando o cinema brasileiro. O lançamento de um filme nacional é sempre digno de alguma celebração. Até este, que tantos problemas proporcionou a esta sofrida comunidade de artistas trabalhadores que dependem do cinema e da qual o nosso cinema depende. Trata-se de Chatô - O Rei do Brasil. (FOTO ACIMA) 

O projeto do filme foi aprovado pela Secretaria do Áudio Visual ainda no primeiro mandato do presidente FHC, iniciado em 1995. No 2º período da gestão de Francisco Weffort à frente do MinC, por volta de 1999, a prestação de contas do projeto Chatô foi recusada, por conter inúmeras irregularidades. Mas o produtor Guilherme Fontes continuava solicitando recursos e o escândalo resultante prejudicou todos os demais projetos de filmes em processo de captação. Ou seja, os empresários perderam momentaneamente a confiança necessária para prosseguir investindo em cinema. A Ancine ainda não fora criada, mas tudo isso está documentado.
Em 2008, ou seja 9 anos depois, a Agência Nacional do Cinema verificou que as irregularidades continuavam e a produtora de Fontes foi condenada pela Controladoria-Geral da União a devolver R$ 36,5 milhões ao Estado. Esse dinheiro não existia, é claro. Seis anos mais tarde, em novembro de 2014, o TCU condenou a produção a
devolver R$ 66.267.732,48. Esse é o valor corrigido da captação original de R$ 8,6 milhões. Com as devidas multas, o débito subiu para R$ 71 milhões.
O filme portanto precisaria obter uma bilheteria de grandeza equivalente a “Tropa de Elite 2”, o que se mostra quase impossível. Principalmente porque Guilherme Fontes nega essa dívida e já não dispõe de recursos para promover esse lançamento e porque o filme adota a estética de uma comédia popular. Justamente num momento em que o mercado se acha sobrecarregado de produtos brasileiros concebidos nessa mesma linha. 

A estreia de Chatô - O Rei do Brasil está se beneficiando de uma audiência, digamos... cativa, formada por todos aqueles que acompanharam a trajetória do escândalo provocado pela sua produção, iniciada formalmente no primeiro mandato do presidente FHC. A coisa esquentou em 1999, quando as contas do filme se mostravam irregulares. E pegou fogo em 2008, quando a Controladoria-Geral da União determinou a devolução de R$ 36,5 milhões ao Estado. Para a conclusão do filme foi preciso o apoio de personalidades como Francis Ford Coppola. Nele vemos a trajetória de Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados e do MASP. Chatô é interpretado por Marco Ricca e seu adversário político Getulio Vargas é o papel de Paulo Betti. (FOTO ABAIXO) O elenco é enriquecido por grandes atrizes como Leticia Sabatella, Andrea Beltrão e Eliane Giardini.
O roteiro evita a seriedade do livro de Fernando Morais e constrói uma espécie de farsa em torno dessas figuras históricas. No meio do filme, por exemplo, acontece um julgamento simbólico do protagonista, como se ele estivesse num programa de TV conduzido pelo apresentador Abelardo Chacrinha. E todas as suas aparições seguem essa mesma tonalidade feérica e circense que lembra os estilos de Joaquim Pedro em “Macunaima” e de Rogério Sganzerla em “O Bandido da Luz Vermelha”. Isso, aliás, é uma qualidade do filme que, dessa forma, se faz mais acessível às plateias, que foram pensadas para ser grandes.
Ou seja, brincar com a história não é pecado, como prova o próprio cinema de Glauber Rocha. Mas há inconsistências de roteiro como a construção do personagem Getúlio Vargas que permanece inalterado de 1930 a 1954, física e dramaticamente. É preciso certa ginástica mental para reconhecer alguns personagens, como o braço direito de Chatô, que parece uma fusão dos jornalistas Carlos Lacerda e Samuel Wainer. E para entender a cena do suicídio de Getúlio, em que vemos mãos enluvadas auxiliando o presidente a empunhar o revólver. O filme está querendo dizer que Getúlio foi assassinado? De resto, Chatô - O Rei do Brasil é divertido, traz informações importantes sobre a nossa história e merece ser visto. Até porque ganhou súbita atualidade com o mar de lama que agora atravessamos.  


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Filmes lançados no circuito comercial de São Paulo: avaliação da semana 19 11 2015

Em meio à costumeira profusão de estreias, nesta semana o público de cinema pode se sentir confuso, em dúvida, até meio tonto, em função de tantas opções e em busca dos melhores filmes. É aí que se percebe melhor o fato de que o chamado “público” é uma entidade abstrata, formada por diversos grupos, cada um com as suas preferências. 
(https://www.youtube.com/watch?v=SoKIqLEGhI0  )
O maior contingente de espectadores deverá se concentrar diante de Jogos Vorazes: A Esperança - O Final, novamente estrelado por
Jennifer Lawrence e com direção do austríaco Francis Lawrence – aquele que comanda a série desde o seu primeiro exemplar em 2013. Agora a situação se complica porque o regime do presidente Snow, como a maioria das ditaduras, se recusa a largar o osso.
(
https://www.youtube.com/watch?v=LkOnT0lS3rQ )
No entanto, aqueles que acompanham o cinema brasileiro se acham ansiosos para conferir esse filme que demorou 20 anos para ser concluído e custou muitos milhões aos cofres públicos. É Chatô - O Rei do Brasil com produção e direção de Guilherme Fontes, baseado em livro de Fernando Morais.
O fundador dos Diários Associados e do MASP é, interpretado por Marco Ricca, enquanto o seu antagonista – o presidente Getulio Vargas – fica a cargo de Paulo Betti, em meio a um conjunto de figuras femininas fortes, como Leticia Sabatella (FOTO ABAIXO) e Andrea Beltrão. Esse elenco segura o filme que, contrariando todos os prognósticos é bastante aceitável – apesar de ter adotado para a narrativa uma linha caricatural, de farsa meio circense e bastante discutível em face do tema.
(
https://www.youtube.com/watch?v=diR00NVSLvo )
Por ter feito oposição ao governo do Irã, o cineasta Jafar Panahi de “O Balão Branco”
foi preso em março de 2010 e durante os 88 dias em que ficou na cadeia fez greve de fome. Em setembro daquele mesmo ano, ele foi proibido de comparecer ao Festival de Veneza. Agora o seu último trabalho, Táxi Teerã foi premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Pronto! Isso já basta para atrair aquela outra parcela do público que detesta pipoca...
O filme é uma espécie de falso documentário no qual o diretor instala câmeras dentro de um táxi no qual ele circula pelas ruas de Teerã. E fala de tudo com todos que entram no carro, especialmente de política e de cinema. Pode ser interessante, mas, como em quase todos os filmes iranianos, as falas suplantam a ação.
(https://www.youtube.com/watch?v=oORHVf3cu8M )
Para um quarto grupo de frequentadores de cinema, pessoas silenciosas e discretas, mas cada vez mais numerosas, o lançamento mais importante da semana é o documentário Awake - A Vida de Yogananda. Ele foi um mestre indiano que escreveu o clássico "Autobiografia de um Yogi". Entre as décadas de 1920 e 1980, ele era o guru de Yoga mais conhecido e respeitado no mundo ocidental.
Apoiado por uma abundante iconografia, além de mostrar a trajetória desse que foi o primeiro divulgador da meditação e da cultura védica no ocidente, o documentário faz divisa com o filme de ensaio e nos explica as bases de seu pensamento filosófico. (FOTO ACIMA) 
https://www.youtube.com/watch?v=1n6E7GrJqes )
A Ilha do Milharal é um filme russo de 2014 que já colecionou 21 prêmios em festivais pelo mundo afora. Um velho camponês se muda, com sua neta para uma pequena ilha deserta no meio do rio Enguri, com a intenção de plantar milho. Mas esse rio foi e ainda é palco de conflitos armados e a tensão da guerra ainda atormenta as pessoas. 
(https://www.youtube.com/watch?v=fccc9b4QD8E )
Mas estreia também um documentário brasileiro que procura eliminar a tensão por meio do humor. É
Piadeiros, do documentarista Gustavo Rosa de Moura, paulista que correu o país em busca de pessoas verdadeiramente engraçadas. E posso garantir que ele encontrou... algumas.
(
https://www.youtube.com/watch?v=5nl43dHH1Ik )
Ainda na trilha da comédia, estreia Papéis ao Vento do bem humorado argentino Juan Taratuto, que fez “Um Namorado para minha Esposa”. Na história deste filme, morre um amigo e um grupo de seus companheiros procura encontrar uma solução financeira um tanto maluca para a família da viúva.
(
https://www.youtube.com/watch?v=6z8MCW16uZY )
Continuando a falar nas comédias da semana, que não são poucas, temos Mistress America do nova-iorquino Noah Baumbach – esse diretor que sonha em ocupar a vaga de Woody Allen com filmes supostamente cômicos, como “A Lula e a Baleia” de 2005. Neste filme, a protagonista é a esquisita Greta Gerwig, que fez “Frances Há”, com o mesmo diretor.
Ela ganha uma nova irmã, ou seja, a filha de seu futuro padrasto: isto é, o homem que vai se casar com a mãe dela. Trata-se como vemos de um humor bem peculiar, com tanto conteúdo como tem um pastel de vento...
(https://www.youtube.com/watch?v=xYxr3tt8kjU )
Mas há uma esperança de humorismo temperado com sexo e ironia com Ninguém Ama Ninguém... Por Mais de Dois Anos. Simplesmente porque o filme reúne cinco historias de ninguém menos que Nelson Rodrigues. Elas foram selecionadas da série de crônicas que o mestre fluminense chamava de “A Vida como ela é” e que, portanto, são ambientadas nas décadas de 1950 e 60. No elenco, temos Gabriela Duarte e Ernani Moraes.
(
https://www.youtube.com/watch?v=t3Xbd2Lfsy0 )
E as comédias continuam. Agora chegando da Espanha com Picasso e o Roubo da Monalisa. O tema é um suposto do roubo da obra de Leonardo Da Vinci, que teria acontecido em 1911, do qual Picasso e seus amigos eram suspeitos. Apesar da produção detalhista, o diretor
Fernando Colomo não consegue fazer graça e o filme só vale pelas intrigas e picuinhas envolvendo os grandes artistas da época, como Henri Matisse, George Braque e Picasso, no momento em que ele criava o cubismo.
(
https://www.youtube.com/watch?v=5kVrh27cH9s )
Finalmente, também estreia Samba & Jazz, um belíssimo documentário de Jefferson Mello que investiga as ligações entre esses dois universos. Ligações mágicas e também de história e estilo que os aproximam. Para isso o filme coloca o sambista em Nova Orleans e o jazzista no Rio de Janeiro. 

sábado, 14 de novembro de 2015

"Capital Humano" e "Sicário": dois filmes em cartaz que se acham na corrida para o Oscar

O titulo italiano indicado neste ano para competir ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é Capital Humano. A direção é de Paolo Virzì, um cineasta toscano que aos 51 anos alcança um inegável prestígio em seu país. O filme conquistou alguns dos mais disputados prêmios da Europa, incluindo o “David de Donatello”, concedido pela Academia Italiana de Cinema.
(
https://www.youtube.com/watch?v=NI3CtRyyM7g)
No centro da trama, temos a atuação levemente cômica do astro Fabrizio Bentivoglio, ainda que as participações mais marcantes sejam as das atrizes Valeria Golino e, principalmente, de Valeria Bruni Tedeschi  (FOTO ACIMA), ela que foi casada com o galã francês Louis Garrel.
Ainda que fascinante, a história é propositalmente confusa e de difícil compreensão. O roteiro mostra um acidente automobilístico tal como foi interpretado por três personagens diferentes. As três versões são apresentadas sob a forma de capítulos, com o apoio de um longo flashback. Essa é uma técnica narrativa cuja invenção é tradicionalmente atribuída a Akira Kurosawa em seu drama “Roshomon”de 1950. 
Mas há uma curiosa equivalência entre este e “Sicário”, do canadense Denis Villeneuve, com Emily Blunt, outro filme que também se acha próximo do Oscar. (FOTO ABAIXO) Os estilos e os argumentos de cada filme se diferenciam muito. “Capital Humano” fala das transformações na sociedade italiana atual, enquanto “Sicário” aborda a colaboração entre os policiais americanos e a os bandidos que atuam além da fronteira mexicana. Mas ambos contrariam algumas das regras que regem a dramaturgia cinematográfica. O cineasta Alfred Hitchcock já chamava atenção para as diferenças entre os gêneros do mistério e o suspense e para a inconveniência de juntar as duas coisas.
Nos dois casos os filmes se iniciam se desenvolvem sem que as informações básicas sobre o enredo tenham sido fornecidas. No filme italiano acontece um acidente e um ciclista é atropelado e o motorista foge da cena. O responsável pelo crime permanecerá desconhecido durante todo o filme, embora tenha fundamental importância no desenrolar dos acontecimentos.
O mesmo ocorre com “Sicário”, em que a protagonista, uma policial vivida pro Emily Blunt, não tem ideia de quem são os companheiros que partilham com ela a missão de enfrentar uma quadrilha de traficantes mexicanos que atuam na fronteira americana. Apesar disso, ambos os filmes prendem a nossa atenção do como ao fim. E ainda por cima, nos revelam dados e verdades importantes sobre as realidades da Itália e dos EUA. 

O título original de "Aliança do Crime" é “Black Mass”: a comunhão do bem com o mal

 
O título original de Aliança do Crime é “Black Mass”, isto é ”Missa Negra”. De fato, o filme pretende existir como uma cerimônia em que assistimos a uma experiência de comunhão do bem com o mal. Johnny Depp faz o super anti-herói, ou seja, o “protagonista ao contrário” do roteiro está agora com 86 e tinha duas identidades: chefão da máfia e informante do FBI. Pode-se dizer que o filme é sobre uma delação premiada, lá na década de 1970.
( https://www.youtube.com/watch?v=CE3e3hGF2jc )
A história é real, extraída de dois livros reportagens e de dois documentários. O mais recente é “Os Estados Unidos contra James Bulger”, feito em 2014, pelo premiado Joe Berlinger. James Bulger é o nome do personagem de Johnny Depp, que ele constrói com a ajuda de alguns estereótipos americanos em relação aos imigrantes irlandeses em Boston.
Neste elenco, o ator de “Piratas do Caribe” precisa rivalizar com outro profissional de estilo completamente diferente – o espontâneo Benedict Cumberbatch de “O Jogo da Imitação”. Com uma desconcertante naturalidade, ele interpreta o irmão do bandido, que é nada menos que um senador da República. Por outro lado Johnny Depp cria um assassino frio e calculista, sempre calmo e sanguinário, com um discurso ambíguo, aparentemente cortês, mas embutindo as mais terríveis ameaças. Mesmo assim, o personagem é monolítico, pintado sem meios tons.
Provavelmente sem confiar nos próprio diálogos, o ator resolveu apelar para recursos exteriores à arte dramática e enfeitar o seu James Bulger com detalhes de uma aparência suavemente sinistra: um longo nariz postiço, uma falsa careca, dentes careados e os olhos verdes de um anjo louco. Neste seu 3º filme como diretor, o jovem Scott Cooper descreve essa mancha na história norte-americana. Ou seja, a proteção a um criminoso dada pelo estado em troca de informações sobre os demais criminosos. Quanto a Johnny Depp, ele perdeu aqui a oportunidade de rivalizar com a fúria de James Cagney, em “Inimigo Público” de 1931. (FOTO ABAIXO)