Encontre o que precisa buscando por aqui. Por exemplo: digite o título do filme que quer pesquisar

Carregando...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Em DVD um clássico do western: "Juramento de Vingança" (Major Dundee) de Sam Peckimpah

Lançado em DVD pela Versátil , "Juramento de Vingança", uma obra de Sam Peckimpah com o título original de Major Dundee, que é o nome do personagem central, interpretado por Charlton Heston. Foi feito em 1968,  época em que o Cinema Novo se iniciava no Brasil e a Nouvelle Vague aparecia na Europa. Mas o filme tem a estatura de um clássico, com todosos elementos que faziam a grandiosidade do gênero. O tema é uma luta justa contra um bando de índios apaches que, na verdade eram bandidos, ou seja, algo parecido com os nossos cangaceiros, que praticavam barbaridades na fronteira com o México. Só que, para complicar tudo, a Guerra da Secessão estava no final e o Major do título foi obrigado a recrutar prisioneiros confederados, ou seja, sulistas rebeldes, para enfrentar aqueles bandoleiros que se reuniam num grande grupo.

Outra complicação era a convivência desses soldados derrotados com ex-escravos que pertenciam ao exército da União. Os dramas mais pesados, porém, se situam no interior do suposto herói e se referem à sua desmedida ambição política, ao seu alcoolismo e à queda pelo sexo oposto. Naquele mesmo ano, na Itália, Roberto Rosselini, então dedicado ao docudrama histórico, pintava o quadro de outro herói militar, que viveu no tempo do Major Dundee. Era o lider Giuseppe Garibaldi que, sob as lentes de Rosselini ficava parecendo um santo. Se os dois filmes forem comparados, os que sempre preferem o cinema europeu ao americano ficariam surpresos ao verificar que o de Sam Peckimpha é mais realista. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Em cartaz "Rio 2", animação americana do carioca Carlos Saldanha e sua arara azul

Nesta semana estreia “Rio 2”, novo episódio das aventuras criadas pelo animador brasileiro Carlos Saldanha para a Fox de Hollywood, com um casal de araras azuis que vive no Rio de Janeiro. Apesar da sua espécie se achar em extinção, eles já têm tres filhotes e formam uma família. Portanto, o diretor Carlos Saldanha se encontra de novo em seu ambiente preferido, não fosse ele um dos criadores de “A Era do Gelo” – protagonizada por uma família de animais pré-históricos... já extintos. Desta vez, a odisséia desses pássaros de cor azul anil prova que eles têm coração verde e amarelo, porque voam até a Amazônia, para encontrar o resto dos seus parentes. E com eles vão outros pássaros que simbolizam o país: um canarinho, um pica-pau e um tucano. 
Lá chegando, encontram duas tribos rivais de araras: as azuis e as vermelhas, numa curiosa referência à festa amazônica de Parintins. E tambem o grande vilão da história que é um madeireiro empenhado em desmatar a selva. Ao som de Sergio Mendes e outros músicoas brasileiros, como Milton Nascimento e os Barbatuques, as imagens iniciais no reveillon do Rio de Janeiro são deslumbrantes, assim como as da floresta, mesmo que o registro dos cenários seja desenvolvido num desenho quase realista. O filme tem um número maior de personagens, tamas mais complexas e mais música que o anterior, o que não permite nenhum momento de tédio. É como se Saldanha reunisse vários gêneros de comédia, como a sátira e a paródia, num roteiro que lembra a agitação das melhores chanchadas dos anos de 1950.
Rio 2
estreia 27 03 2014 
gênero animação/ comédia
distribuição Fox

Direção Carlos Saldanha

COTAÇÃO
* * * *
Ó T I M O

terça-feira, 18 de março de 2014

"O Grande Herói" e "Alemão", diferentes um do outro, mas com alguma coisa em comum.

Nesta 5ª feira será lançado o filme americano “O Grande Herói”, produzido e protagonizado por Mark Whalberg, um docudrama sobre a vida real de Marcus Luttrell que, em 2005, foi escalado para integrar um grupo de 4 soldados da Marinha com a missão se matar um líder da Al Qaeda. Para isso, eles precisavam “apenas” desembarcar de helicóptero numa montanha do Afganistão, caminhar até uma aldeia lotada com centenas de talibãs, executar o terrorista e voltar pra casa. Só que, logo de cara uma cabra denunciou a presença dos americanos e a heroica turminha viu-se vivendo uma situação parecida com aquela antológica piada de José Vasconcelos na qual o caubói John Wayne, ao se encontrar cercado por milhares de índios, não teve alternativa senão tornar-se ele próprio um índio. 
Estou mencionando este filme para falar de outro: o brasileiro “Alemão” de José Belmonte, em que Caio Blat, Milhem Cortaz, Otávio Müller e Gabriel Braga Nunes são policiais infiltrados no morro do Alemão no dia em que aquela favela foi invadida pela polícia. Trata-se de outra situação equivalente que o diretor de “Se Nada mais der Certo” (2008) desenvolve com extrema competência. A perseguição de moto pelas vielas do morro, por exemplo, já revela o seu domínio sobre a ambientação e o ritmo da história. A maior parte deste drama, porém, se desenrola dentro do esconderijo onde os policiais tentavam se proteger e isso acaba trasformando a narrativa numa espécie de peça teatral, com a densidade de “Entre Quatro Paredes” de Jean Paul Sartre.
Sem a estatura da marca “Tropa de Elite” criada por José Padilha, este “Alemão” de José Belmonte marca o abandono pelo diretor daquele tom positivo e esperançoso que vimos em “Se Nada mais der Certo”. O roteiro, no entanto, mantem a proposta de cruzar as linhas da trama, ou seja, de entrelaçar as trajetórias abordadas pelo filme, isto é, misturar os problemas individuais com as questões sociais e políticas: os romances secretos e as articulações palacianas. Antônio Fagundes interpreta o delegado, provavelmente fictício, que teria concebido o projeto inicial de ocupar de surpresa o complexo do Alemão em novembro de 2010. Numa cena, ele mostra a sua contrariedade de ter o seu plano incorporado pelo governo, sem o cuidado que merecia. 
De outro lado, o chefe do tráfico vivido por Cauã Reymond precisa fingir que não se abala ao saber que a mãe do seu filho se acha presa, por acaso, no mesmo esconderijo em que um grupo de policiais infiltrados no morro como informantes se acha entocado. Essa miniatura da vida humana nas cidades é desenhada pelo filme como uma antecipação do inferno, em todos se colocam contra todos, mesmo sem perder a capacidade de manifestar afetos, medos e simpatias. Um universo de perigo e violência do qual não existe fuga possível, nem para o matagal que cerca o morro do Alemão e que, pacientemente, espera o dia em que será trocado por mais algumas centenas de barracos. O diretor nos revela que o tema do filme é o sacrifício dos homens, mas, poderíamos acrescentar que é também o da vida sobre a terra.
ALEMÃO 

Brasil, 2013, 109 min, 16 anos
gênero docudrama/ policial
Distribuição Downtown Filmes
Direção José Eduardo Belmonte
Com Caio Blat, Milhem Cortaz, Otávio Müller, 
Gabriel Braga Nunes, Antonio Fagundes, Cauã Reymond
COTAÇÃO
* * *
B O M

domingo, 2 de março de 2014

Mesmo que ganhe o "12 Anos de Escravidão", meu favorito para o Oscar é "Gravidade".

Há semanas na capa da nossa página no Facebook, "Gravidade" é o meu favorito para a premiação de hoje, ainda que "12 Anos de Escravidão" tenha mais condições de sair vencedor.   Apesar de ambientado no espaço “Gravidade” não é uma obra de SF. Seus protagonistas uma cientista vivida por Sandra Bullock e um astronauta na pele de George Clooney se acham numa nave em órbita sobre a Terra para trabalhar um telescópio, quando um acidente destrói o veículo e eles ficam literalmente com a roupa do corpo, apenas com o oxigênio que estava em seus reservatórios individuais. Sem, comunicação com a NASA, o único jeito seria alcançar uma estação chinesa abandonada naquela órbita. Diferentemente de “Os filhos da Esperança”, um de seus trabalhos anteriores, este não é SF porque o tratamento dado pelo autor e diretor mexicano Alfonso Cuaron é totalmente realista.
Entre seus principais temas estão a fraqueza e a força do ser humano quando se acha fora do seu habitat natural. A fragilidade física, orgânica, é evidente naquele ambiente sem ar, sem som nem gravidade. Mas quais seriam recursos mentais disponíveis? Sem entrar em detalhes que poderiam estragar a surpresa do ouvinte, podemos adiantar que eles se encontram da área do controle emocional, por meio da respiração e do distanciamento entre a mente e as ocupações corriqueiras e automatizadas da atividade cerebral. Uma indicação de que essa postura do roteiro é consciente está na fala de um personagem, comentando a beleza do por do sol sobre o rio Ganges, que banha a Índia, pátria do Yoga que, por sua vez, consiste num conhecimento milenar fundamentado nas conexões entre corpo e mente.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Tarja preta sobre o azul: não se trata de um hai-kai, mas de um alerta.

Uma bizarra discussão vem agitando os bastidores do mercado de cinema. Tudo começou com uma nota oficial da empresa Imovision detentora dos direitos do filme “Azul é a Cor Mais Quente”.
“...procuramos a empresa brasileira Sonopress, para replicar esse título em Blu-ray, mas ela se recusou e ainda alegou que nenhuma outra empresa faria o serviço. Contatamos então a SONY DADC, que também se recusou a produzir o Blu-ray do filme, devido às cenas de sexo. Portanto, o filme, vencedor do Festival de Cannes, poderá ser reproduzido apenas em DVD”. Segundo o presidente da distribuidora Imovision, “Não é um filme pornô. Na França o filme recebeu classificação indicativa de 12 anos”. De fato, não existe oficialmente no Brasil filme pornô em Blu Ray. O jornalista Allyson Oliveira informa que a Sony não permite que as replicadoras fabriquem filmes pornôs. Se fabricarem, perdem a licença. Por isso, ele conclui que a Imovision não esteja tentando criar um factoide para promover o filme. É possível que as replicadoras, vendo trechos do filme e sem informações completas possam ter tachado o filme de pornô. Mas alguns comentaristas acreditam que por trás disso haja um problema relativo á negociação de preço. A maioria considera que se trata apenas de uma decisão comercial, não de homofobia, censura ou intolerância, como pode parecer pela leitura da nota oficial. Se as cenas de sexo fossem entre homem e mulher, o filme seria vetado do mesmo jeito. 


Foi-se mais um ícone da cultura popular brasileira: Virginia Lane

Quase ninguém comentou, mas no dia 10 de fevereiro se foi Virginia Lane, apelidada de "a vedete do Brasil", estrela absoluta do teatro de revista e das chanchadas. Durante 15 anos, ela foi amante de Getúlio Vargas e, dois anos antes de falecer, com 93 anos, declarou que estava na cama com o presidente Vargas na noite em que ele morreu, segundo ela assassinado e não por meio de suicídio, como ficou registrado na história. Em função disso, o jornalista Élio Gaspari criou a expressão "síndrome de Virginia Lane", para se referir às hipóteses de assassinatos de presidentes. Mas o motivo pelo qual ela talvez preferisse ser lembrada era a sua participação contínua, entre os anos de 1940 e 1960, em dois fenômenos culturais de grande ressonância popular naquele período. Falo do teatro de revista, que valia como a única tribuna à disposição de músicos e comediantes para se comunicar com o público das grandes cidades, antes das "chanchadas". Assim eram rotulados os filmes cômicos e musicais daquela época, até pouco tempo estigmatizados como artisticamente inferiores pelos críticos e comentaristas e que, agora, vem merecendo uma necessária releitura por parte de historiadores e especialistas. Para ilustrar esse comentário escolhi o seu maior sucesso do rádio e do disco que foi "Sassaricando", tal como foi filmado pelo grande Moacyr Fenelon em "Tudo Azul" (1950), um dos filmes nacionais mais importantes daquele tempo.

Com "Balada de um Homem Comum", os Coen ganham o Grande Prêmio do Juri em Cannes

Os irmãos Coen formam uma já tradicional dupla de cineastas que escrevem e dirigem filmes em parceria e podem ser vistos como cronistas de seu tempo. Digo do tempo atual e dos tempos em que eles viveram, sempre com um agudo e refinado senso de observação. Os quatro Oscars por eles conquistados ao longo de uma carreira iniciada nos anos de 1980 nem chegam a fazer justiça à incomum capacidade literária, humorística e dramática com que eles detectam os pontos nevrálgicos de qualquer situação. Entre seus temas favoritos, salientam-se a vida íntima de criminosos e policiais – como em “Fargo” (1996) – e os meandros da cultura judaica – como em “Um Homem Sério” (2010). 
Desta vez, em “Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum”, eles focalizam a música popular americana na década de 1960, especificamente a onda das canções folk sofisticadas que estava se formando no Greenwich Village em Nova York, da qual Joan Baez e Pete Seeger faziam parte. Inspirados em um cantor e compositor de verdade, que chegou a fazer algum sucesso um pouco antes de Bob Dylan chamado Dave Van Ronk (1936 – 2002), eles criam a figura patética de Llewyn Davis: um jovem artista que apesar de talentoso e sensível se acha fascinado pelo fracasso.
No elenco, as participações sempre irretocáveis de Carey Mulligan, Murray Abraham e John Goodman, contracenando com o dublê de músico e ator coadjuvante Oscar Isaac, no papel central. Carregando junto com o violão toda a amargura daquela época, o personagem faz de si mesmo o seu principal antagonista. Como uma deferência aos cinéfilos, o roteiro elabora uma acrobacia de linguagem que só acontece na última cena e que, por isso, não podemos revelar.

INSIDE LLEWYN DAVIS 
– BALADA DE UM HOMEM COMUM 
(Inside Llewyn Davis)
EUA, 2013, 104 min, 12 anos
estreia 2102 2014
gênero comédia/ historia
Distribuição Paris filmes
Direção Ethan Coen, Joel Coen
Com Oscar Isaac, Carey Mulligan,
Murray Abraham e John Goodman
COTAÇÃO
* * * *
Ó T I M O