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domingo, 19 de julho de 2009

“O Grupo Baader-Meinhof”: docudrama que vem para recuperar o prestígio do gênero

Chega aos cinemas “O Grupo Baader-Meinhof”, que foi o grande favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Quem era universitário no começo dos anos 70, como eu e os realizadores do filme, víamos o mundo pegar fogo. Por aqui, Lamarca, Che, Allende e Marighella eram eliminados, enquanto a guerra do Vietnam e a morte de Luther King indignavam a todos. Parecia que este grupo alemão de guerrilheiros urbanos era indestrutível. Mesmo com seus líderes na prisão, eles continuavam agindo com uma agressividade e uma ousadia impressionantes, se comparados aos brasileiros VPR, ALN, MR8 e demais grupos clandestinos que atuavam na luta armada contra o regime militar.

Ninguém acreditou quando foi divulgado que eles se associaram aos palestinos em luta contra Israel. No ataque do Fatah à delegação israelense na olimpíada de Munique, em 1972, todo o mundo ficou de boca aberta ao ver os nomes dos cabeças do Baader-Meinhof na lista dos presos políticos a serem libertados. Dirigido por Uli Edel, o filme desvenda todos os mistérios do assunto. Por meio das personalidades de seus criadores, a jornalista Ulrike Meinhoff e o ex-presidiário Andreas Baader, por exemplo, pode-se entender melhor o estilo do grupo, ao mesmo tempo heróico e sanguinário. Ela era uma intelectual refinada que redigia os manifestos distribuídos após cada atentado. E ele era um deliquente que já tinha sido condenado antes de se tornar ativista político. (na foto abaixo, pelo ator Moritz Bleibtreu)
Com a precisão de uma cirurgia e a profundidade de um ensaio histórico, o filme foi produzido e escrito por Bernd Eichinger ("A Queda! – As Últimas horas de Hitler" – 2004), com direção de Uli Edel ("Eu, Christiane F - Drogada e Prostituída" – 1981). Os dois cineastas eram estudantes na Escola de Cinema em Munique, na época do chamado “setembro negro” de 1972. Naquele ano, após uma série de assaltos e atentados a bomba, o grupo alemão de guerrilheiros é preso. Em seguida, uma facção do palestino Al Fatah pratica um atentado terrorista na olimpíada de Munique e revela sua ligação com o Baader-Meinhof.

O filme pode ser considerado um docudrama de verdade, ainda que essa expressão tenha sido tão banalizada por filmes que não se mostram fiéis à documentação disponível e nem exploram plenamente as possibilidades dramáticas do acontecimento histórico. Muito menos oferecem, como este, uma interpretação, que ajude a entender melhor o tema abordado.
Acima, Moritz Bleibtreu e Johanna Wokalek, interpretando
Andreas Baader e Gudrun Ensslin, abaixo em foto de época

Com a ajuda de interpretes de primeira linha, como Martina Gedek (abaixo ainda como mãe de família burguesa) e Moritz Bleibtreu, é possível observar os fatos do ponto de vista dos guerrilheiros e compreender os meandros da sua constituição e de seu modo de agir. Em geral, a sofisticada argumentação de seus comunicados contrastava com a violência dos atentados. Se o roteiro de “O Grupo Baader-Meinhof” tivesse adotado outra perspectiva como, por exemplo, a do chefe de polícia – aliás, muito bem interpretado por Bruno Ganz – o filme teria uma estrutura diferente, e bem menos esclarecedora. Abaixo, a verdadeira Ulrich Meinhof, em foto de 1964.
Abaixo, a interpretação de Ulrich Meinhof por Martina Gedek
O Grupo Bader-Meinhof
Der Baader-Meinhof Komplex
Alemanha 2008
estréia 24/07/2009
distribuição Imagem
direção Uli Edel
Com Moritz Bleibtreu, Martina Gedek,
Johanna Wokalek, Bruno Ganz

Um comentário:

ABM cosmeticos disse...

Sim, o docudrama (esse faz jus ao titulo) recupera com ensafe o geneo que ha temos estava perdido.
O filme nos prende na cadeira e nos leva por vertentes diferentes a cada dialogo.
A quimica pefeita entre os atores, o fotografia e ate as inserçoes mais simples do cotidiano dao o ar de realidade a esse belo trabalh de resgate nao so da historia como do titulo DOCUDRAMA.