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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Andréa Beltrão é "Verônica", personagem maior que o filme de Maurício Farias

Como em qualquer atividade, no cinema nem sempre as boas intenções garantem o resultado. Também não bastam nomes famosos no elenco, para garantir bilheteria. A celebrada Andréa Beltrão − em teatro, televisão e cinema, com mais de 15 filmes no currículo − interpreta uma professora estressada da rede municipal carioca: separada do marido e louca para se aposentar com vinte anos de serviço. Quando a mãe de um aluno de oito anos não vem buscar o garoto, ela resolve levá-lo para casa, na favela. Ao chegar, vê que os pais dele foram assassinados. Como o menino também corre perigo, foge com ele para escondê-lo. Inclusive dos policiais que o procuram para “queimar o arquivo”. Os momentos mais dramáticos e envolventes deste trabalho de Maurício Farias − justamente o diretor de Grande Família, O Filme (2007) − acontecem na frenética busca da professora por ajuda, lembrando a adrenalina de Glória (1980) , de John Cassavetes, com Gena Rowlands, que apresentava um tema, aliás, muito semelhante. Além da atuação do estudante Matheus de Sá (nas fotos com Andréa), outro mérito é o trabalho da própria Andréa Beltrão (Rio de Janeiro, 1964) que atribui vida real à personagem, representante dessa categoria profissional tão desrespeitada pela sociedade brasileira, aviltada pelo estado, ignorada pelas elites econômicas e esquecida pelo cinema. Farias dirige corretamente, com segurança nas seqüências de ação e suspense. O único ponto fraco de Verônica (estréia 06/02/2009) está mesmo na dramaturgia, que não consegue encontrar um desfecho para a trama à altura da maneira como foi aberta, levantando tantas questões tão importantes para o país.

2 comentários:

Deivid disse...

Me bateu um arrependimento tão grande, por não ter indo no cinema prestigiar esse filme espetacular,com uma história incrível, e ela magnífica Andrea Beltrão.Acabei de assistir. Parabéns com muito orgulho do cinema nacional

francisco lopes disse...

O filme deve muito a "Glória". Pareceu-me que suas melhores ideias, seu ritmo, se inspiraram no thriller de Cassavetes. Mas Andréa Beltrão carrega tudo nas costas com muita classe e a história interessa. Também achei o desfecho um tanto decepcionante. A uma certa altura, a abnegação da professora em favor do menino ganha tons sentimentais pouco críveis e gratuitos e o filme bambeia, perdendo a força. Mas não deixa de ser um bom momento do cinema brasileiro atual. Também me agrada muito o ator Marco Ricca.