
Inicialmente, pode parecer uma bobagem, mas o filme vai crescendo à medida que nós, e os demais personagens, entramos no jogo aparentemente psicopatológico do protagonista: um rapaz solitário por decisão própria que, cansado de recusar as moças que parentes e colegas tentam empurrar para ele, compra uma boneca inflável. Não se trata de uma daquelas comédias rasteiras sobre a complicada sexualidade da juventude americana, como “O Virgem de 40 Anos” (um vacilo de Steve Carell) e outras grosserias. Seria um caso corriqueiro, se o jovem não se comportasse como se o brinquedo de plástico fosse gente. Dá-lhe nome, personalidade e até um temperamento. Compra-lhe roupas e anda com ela pela cidade, apresentando-a para a família e para os amigos.


“A Garota Ideal” pode ser visto como uma parábola sobre a solidão humana ou, melhor ainda, sobre e a dificuldade das pessoas se suportaram, como reza a máxima sartreana de que “o inferno são os outros”. No entanto, é preferível encará-lo como uma fábula a respeito da solidariedade social, ou o experimento (ficcional, claro) de um processo de psicoterapia promovido por toda uma coletividade. Porque, afinal, a história se passa numa pequena cidade, meio isolada dos centros mais populosos, onde todos se conhecem. E toda a população se engaja nesse “relacionamento amoroso” que, de resto, evolui e se transforma − como verão aqueles que levarem a sério este comentário.

Lars and the Real Girl
EUA - 2007
(estreia 15/05/2009)
distribuição California
Direção de Craig Gillespie
Ryan Gosling, Patricia Clarkson,
Emily Mortimer, Paul Schneider
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