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sexta-feira, 10 de junho de 2011

“X Men – Primeira Classe”: a origem dos heróis mutantes e seu contexto histórico

A cultura dos quadrinhos carrega mais de um século de turbulenta existência e, portanto, já merece ser analisada e investigada em suas articulações internas, como acontece com qualquer modalidade artística. Assim como a literatura e o próprio cinema, seus mitos e enredos mais importantes adquiriram o direito de serem trabalhados e recriados para ocupar espaço em outras mídias e contextos culturais. Isso para dizer que “X Men – Primeira Classe” pode ser visto como uma elaboração ficcional e dramática acerca de sua origem editorial e histórica. Do ponto de vista cinematográfico, a proposta tem pertinência e seriedade equivalentes a uma pesquisa acadêmica, porque relaciona a essência dos personagens e seu surgimento nas bancas de revistas com os acontecimentos históricos verdadeiros.
Essa equipe de mutantes do bem comandados pelo professor Charles Xavier apareceu em setembro de 1963 num gibi da Marvel Comics − criada por Stan Lee e Jack Kirby e aproveitando uma leve onda de preocupação geral com a possibilidade dos artefatos nucleares terem permitido o nascimento de seres geneticamente diferenciados. Seria evidentemente um efeito secundário da Guerra Fria que, no roteiro da talentosa Jane Goldman para o filme dirigido pelo inglês Matthew Vaughn (“Nem tudo é o que parece” – 2004), ganha importância central. A ação se passa durante a crise internacional protagonizada pelo presidente John Kennedy, por ocasião do envio de mísseis russos para proteger a ilha de Cuba. Seus depoimentos reais gravados para a TV se misturam aqui com as peripécias inventadas para a movimentação dos mutantes, cujos conflitos internos se enredam com os confrontos entre o socialismo soviético e o capitalismo norte-americano.
A trama central de “X Men – Primeira Classe” se inicia no encerramento da Segunda Guerra Mundial, exatamente num campo de concentração, no qual um menino se descobre dotado de poderes mentais sobre-humanos, enquanto outro jovem mutante prisioneiro é vítima daquelas criminosas experiências biológicas praticadas na época pelos nazistas. Temos, portanto, uma definição étnica nada habitual para as figuras de quadrinhos. Sabemos, por exemplo, que o Super Homem veio do planeta Krypton, mas pouco se conhece acerca das raízes familiares do Batman ou do Homem Aranha. As primeiras imagens de “X Men – Primeira Classe” lembram cenas de obras neo-realistas ou de filmes poloneses sobre ocupação alemã. Outra novidade é a ação do tempo sobre os personagens.
O poderoso Thor, o Capitão Marvel ou a turma do Quarteto Fantástico se apresentam sempre a mesma idade. Mas aqui o professor Xavier e seu antagonista Magneto chegam à década de 1960 com mais ou menos 30 anos e, assim como os líderes radicais daquele tempo, formam seus próprios partidos para enfrentar o sistema. O grupo de Magneto não se prende a princípios éticos e atua como um precursor dos atuais terroristas, enquanto os seguidores de Charles Xavier adotam uma postura liberal e agem conforme a lei. Mas é bom esclarecer que isso tudo é construído num tom ao mesmo tempo culto e bem humorado, sob a condução de Matthew Vaughn, um diretor que se tornou respeitado pela originalidade com que tratou temas de narrativas policiais e fantásticas em filmes como “Stardust – O Mistério da Estrela” (2007) e “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000). Ou seja, uma espécie de mutação cinematográfica oferecendo divertimento e reflexão no mesmo pacote.

X MEN – PRIMEIRA CLASSE
X-Men: First Class
EUA, 2011, 132 min, 12 anos.
estreia 03 06 2011
gênero fantasia / história / quadrinhos
Distribuição Fox Films
Direção Matthew Vaughn.
Com Jennifer Lawrence, Rose Byrne, James McAvoy

COTAÇÃO


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B O M

2 comentários:

Enaldo disse...

uma resenha infomativa como esta sempre permite a quem busca filmes de qualidade poder diferenciar o joio do trigo no mundo dos blockbusters

Rafael W. disse...

Achei o filme ótimo, respeitoso para com os fãs, e mais complexo que o esperado.

http://cinelupinha.blogspot.com/