

Essa atividade era o corolário de um código de ética estabelecido pela Associação dos Produtores Americanos (MPAA) e que vigorou entre 1934 e 1967: centenas de normas e proibições faziam do cinema americano um produto impossível de ser contra-indicado para o consumo geral das famílias. De um lado, essa forma explícita de autocensura determinava o que era proibido fazer. De outro, o Oscar indicava o que deveria ser feito, para que cada empreendimento obtivesse lucro. Assim, o profissional premiado conseguia mais trabalho e pagamentos mais elevados. Para qualquer empresário, o contrato com um técnico ou com um ator “oscarizado” era garantia de serviço bem feito e atrativo para o público. O conceito de “Oscar winner” se tornava portanto um distintivo que identificava aquele que chegara ao topo. Algo como a patente de marechal para os militares ou o PHD para os acadêmicos, só que muito melhor remunerado. Essa gente tem hoje o salário publicado na internet, sempre em números de no mínimo cinco dígitos.

Com aquilo que chamamos de globalização da indústria cultural, esse sistema de estrelas e dólares passava a funcionar também como principal ferramenta de divulgação e venda para o mercado internacional. Um mecanismo que, acima de tudo facilita as coisas: em vez de publicar o currículo do artista, resumir as suas melhores críticas e enumerar os resultados de bilheteria, basta informar que ele foi indicado para o Oscar. Quem atribui esse prêmio não é uma determinada pessoa – como o papa, que decide nomear este ou aquele bispo como cardeal. Nem um grupo de notáveis – como os jurados de um festival – mas a própria indústria norte-americana, por meio de seus representantes setoriais, isto é, os sindicatos e demais associações. São os roteiristas que indicam os melhores roteiros, os atores que escolhem as melhores interpretações e assim por diante.

Isso significa que as principais decisões resultam da votação de um colegiado de mais de mais ou menos 6 mil pessoas, votando em dois turnos. Cada setor profissional escolhe os indicados e, em seguida, o conjunto dos “acadêmicos” determina os vencedores. Isso, com exceção das categorias de animação, documentário e filme estrangeiro, para as quais se formam diferentes grupos de jurados. Os críticos e jornalistas não fazem parte desse processo e, nos EUA, os estrangeiros que lá trabalham fazem valer suas opiniões em outro prêmio: o Globo de Ouro.

Por isso é estranho alguém imaginar que a Academia age assim ou assado, que tem determinadas preferências ou linhas de conduta, como se fosse um ser vivo dotado de caráter, emoções e personalidade. Embora seja possível identificar tendências ou probabilidades − como fazem, por exemplo, os analistas dessa entidade complexa que é o mercado. Por isso, ao crítico cabe principalmente a tarefa de externar as suas análises e interpretações individuais, bem como observar de modo objetivo as referidas “tendências” que, a rigor, não devem ser tomadas como previsões. Dessa forma, pode-se dizer que nesta 83ª edição, no domingo 27 de fevereiro, a cerimônia tenta se despojar de alguns antigos preceitos, como os de que o apresentador não pode ser também um indicado à premiação e deva ser um humorista. Este será James Franco (“127 Horas”), com o luxuoso apoio de Anne Hathaway. Outra novidade é o “cenário virtual”, que o cômico Ben Stiller já tinha ridicularizado numa edição anterior. O que isso quer dizer só poderá ser entendido quando as cortinas se abrirem,


Melhor Filme: “O Discurso do Rei” ou “127 Horas”
Melhor Diretor: David Fincher (“A Rede Social”) ou Dany Boyle (“127 Horas”)
Melhor Ator: Colin Firth (“O Discurso do Rei”) ou James Franco (“127 Horas”)
Melhor Atriz: Natalie Portman (“Cisne Negro”)
Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale (“O Vencedor”)
Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo (“O Vencedor”)
Melhor Roteiro Original: Christopher Nolan (“A Origem”)
Melhor Roteiro Adaptado: Aaron Sorkin (“A Rede Social”)
Melhor Animação: Toy Story 3
Melhor Filme Estrangeiro: Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)

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