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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Baseado em livro de Chico Xavier, "Nosso Lar" não se coloca à altura das suas intenções

Nosso Lar” é uma produção ambiciosa, repleta de efeitos especiais, principalmente na área da cenografia. Porque, afinal, trata-se de propor a espacialidade para uma colônia espiritual, onde os desencarnados recebem o tratamento necessário para que possam prosseguir em sua jornada rumo à evolução. O livro em que se baseia foi psicografado por Chico Xavier que o atribuiu ao espírito de um médico falecido nos anos 1930 e que tem o pseudônimo de André Luís. Mostra um aspecto curioso ao falar de uma cidade etérea, cuja existência, no entanto, se inscreve no tempo histórico. Num determinado diálogo, se explica que ela é uma entre tantas outras situadas no além, e que começou a ser “construída” no século XVI por colonos portugueses. É, portanto, uma contrafação celeste do próprio Brasil – livre, porém, das imperfeições mundanas. Um dos personagens esclarece: “aqui os dirigentes dão bons exemplos”. O texto, portanto, tem o status de obra devocional e, por isso, é natural que os realizadores tenham buscado obter o máximo de fidelidade em sua transposição para a tela. Mas é justamente aí que residem os principais problemas da direção de Wagner de Assis (“A Cartomante” – 2004), conhecido como roteirista de três filmes da Xuxa, entre 1999 e 2002. Numa das suas raras passagens descritivas, o livro se refere à vestimenta dos habitantes como se fosse feita de linho branco, mas o filme adota um tecido que parece seda artificial. Já os cenários alternam a imponência de edifícios modernistas − nos quais, não há cantos e nem arestas − com residências particulares exageradamente bisonhas e coloridas. Ainda que gravada num volume alto demais, a música é de Phillip Glass e o minimalismo desse compositor até poderia sugerir uma linha a ser seguida também no aspecto visual. Lembro-me de “Dogville” (2003), de Lars Von Trier, no qual os cenários são apenas insinuados por linhas traçadas no chão.
Mesmo livre de seu corpo físico, o protagonista carrega os conflitos íntimos que trouxe da terra. Ainda assim, a narrativa de Assis carece de dramaticidade e emoção, caminhando sempre de maneira previsível e linear. Parafraseando Paulo Emílio Salles Gomes que, ao criticar a adaptação de “Guerra e Paz” feita por King Vidor em 1956, afirmou que o filme não tinha captado o “espírito de Dostoievski”, digamos que “Nosso Lar” também não alcançou os de André Luiz e Chico Xavier.
NOSSO LAR
Brasil - 2010 – 115 min. - 10 anos
estreia 03 09 2010
Gênero Drama
Distribuição Fox Films
Direção Wagner de Assis
Com Renato Prieto, Fernando Alves Pinto,
Paulo Goulart, Werner Schünemann
COTAÇÃO
* *
REGULAR

3 comentários:

Loma disse...

Vou ter que levar minha avó para ver esse filme... Já estou com medo...

pseudo-autor disse...

Espero que seja, pelo menos, mais interessante do que o monótono Chico Xavier, do Daniel Filho (que não é nem sombra da biografia do médiun).

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Danielle disse...

Oi, Luciano!

Aqui é a Danielle da disciplina do Elinaldo.
Seu blog é ótimo! Li uma porção de resenhas suas enquanto estava naquele infernal xerox do IEL esperando as cópias dos textos da disciplina.

Não vi esse Nosso Lar - vi o trailer o número suficiente de vezes para ficar com ojeriza da artificialidade das interpretações e daquele além high tech que criaram... Mas vi o Bem Amado e a Rainha Vitória e concordo com todas as suas palavras sobre os dois. Sobre o B.A. eu falei no meu blog também. A propósito, segue o link dele, que é mais um diário de uma cinéfila do que um blog de crítica cinematográfica organizado.

http://ofilmequeviontem.blogspot.com/

Leia quando puder e me diga o que achou!

Abs
Dani