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domingo, 12 de abril de 2009

“Tony Manero”, o personagem de Travolta vira título de filme chileno premiado.

Na pele do personagem Raul Peralta, o ator e co-roteirista Alfredo Castro evoca a máscara de Al Pacino, quando encarna perdedores como em “Donnie Brasco”. Também lembra um pouco Paulo Villaça, em “O Bandido da Luz Vermelha" e Jesse James Costa, em “Jogo Duro”, que Ugo Georgetti fez em 1985. Além da semelhança física, o mesmo e desesperado vazio no olhar, a mesma fusão de opostos no rosto enrugado − frieza e fragilidade, timidez e crueldade. A cena traz Santiago do Chile em 1978, quando Pinochet tiranizava o país, enquanto John Travolta estourava nas bilheterias com “Embalos de Sábado à Noite”, interpretando Tony Manero, o latino desempregado e ignorante que triunfava nas discotecas de Nova York. Já com 52 anos, Raul treina para vencer um concurso de TV imitando a dança de Travolta e tornar-se o “Tony Manero nacional”. Essa meta seria até simpática, pelo seu aspecto ingênuo e artístico, não fosse o dançarino uma figura sinistra, capaz de assassinar uma velhinha, só para roubar um aparelho de TV.
Numa entrevista para O Estado de São Paulo, o diretor Pablo Larraín se mostra bravo com os críticos que reclamaram da ausência de fundamentação psicológica para o personagem. Defende-se com um clichê revelador dos fundamentos ideológicos da elaboração do roteiro, tachando o ataque de “leitura burguesa” do filme. O protagonista foi construído mais ou menos como se faz atualmente nas graphic novels em quadrinhos, nas quais não há tempo e nem espaço para aprofundar as origens e intenções dos personagens. Lacônico, quase como uma figura de cinema mudo, ele se define pela ação e, assim, adquire um valor quase alegórico. Representa o povo do Chile no que ele tinha de pior, aceitando a passivamente a ditadura e assimilando com voracidade as mercadorias produzidas pela indústria da cultura norte americana, como o blockbuster com Travolta (na foto abaixo). Simboliza toda uma nação colonizada e embrutecida, que se entrega aos milicos e aos sonhos de consumo destinados à manutenção do sistema.

Esperamos que essa linguagem típica dos primeiros discípulos da Escola de Frankfurt esteja mais ao agrado de Dom Pablo Larraín. Com os prêmios obtidos por “Tony Manero”, o segundo título da sua curta carreira na direção, ele deve estar almejando um posto na nomenclatura internacional do cinema – ainda que o seu primeiro filme (“Fuga” – 2006) também não tenha sido aprovado plenamente pela crítica chilena. Somente o ator Alfredo Castro foi elogiado sem restrições. Apesar de sua intensa atuação em teatro, ele é cinematograficamente perfeito, trabalhando com concisão e economia de recursos. Tome-se como exemplo a cena em que ele se inscreve no concurso da TV e sufoca de vergonha ao confessar sua idade e a situação de desempregado. Dá até raiva, mas, naquela passagem a excelência do intérprete nos obriga a sentir compaixão por aquele repulsivo assassino, sem qualquer caráter, uma versão maligna e vampiresca de Macunaíma.

Tony Manero
Tony Manero
2008 – Chile / Brasil
Estréia 10/04/2009
Direção Pablo Larraín
Com Alfredo Castro, Amparo Noguera,
Héctor Morales e Paola Lattus

Um comentário:

brunabora disse...

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