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segunda-feira, 19 de março de 2012

"Habemus papam" tenta brincar com o processo pelo qual se elege cada novo papa.

O título do filme “Habemus Papam” corresponde à frase latina com a qual o Vaticano costuma anunciar a entronização de um novo sumo pontífice do catolicismo. O filme é dirigido por Nani Moretti, cineasta que há muito vem tentando marcar território como criador de comédias cuja essência nada tem a ver com a tradição cômica do cinema italiano. Um humor tão carregado de ironia e sarcasmo, que pouco tem a ver com o riso e com o entretenimento, situando-se mais adequadamente na área da crítica social ou da caricatura jornalística. “O Crocodilo” (2006), por exemplo, foi um desses exercícios de pantomima politicamente destruidora que tinha o próprio Silvio Berlusconi como alvo. Desta vez Moretti fala do Vaticano e de seu processo sucessório, por meio de um cardeal francês que é o escolhido para o trono de São Pedro, mas que se recusa a assumir o cargo.>
A interpretação do veterano Michel Piccolli que faz esse papel é o melhor do filme, em seu sincero desejo de cumprir o dever, lutando contra o impulso de sair correndo e voltar pra casa. Para tentar convencê-lo, os bispos contratam um psicanalista vivido pelo próprio Nani Moretti que se esforça ao máximo para fazer graça. Além das ridículas restrições impostas ao tratamento, como não mencionar a mãe de sua santidade, ele se curva à necessidade de distrair os príncipes da Igreja enclausurados junto a ele no conclave, para evitar acessos coletivos de loucura. A produção é perfeita em termos de locação, elenco e figurinos, mas o roteiro patina no quesito credibilidade e, assim, aniquila qualquer intenção de fazer humorismo. Refiro-me principalmente ao improvável torneio de vôlei criado para preencher o tempo vago dos cardeais trancados no Vaticano, enquanto o eleito não se resolve e dá as suas escapadas pelas ruas de Roma.
HABEMUS PAPAM
França, Italia – 2012 – 102 min. – Livre
estreia 16 03 2012
gênero comédia / religião / drama
Distribuição Vinny Filmes
Direção Nanni Moretti
Com Michel Piccoli, Nanni Moretti,
COTAÇÃO
* * *
BOM

Um comentário:

Enaldo disse...

Filme falsamente ingênuo: a eleição de papas não é graciosa como aparenta, e não dá para acreditar que os cultos cardeais desconheçam Freud e psicologia elementar. O diretor quis fazer uma medazinha com os católicos.