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quarta-feira, 7 de março de 2012

Em "Drive", o herói é um combinado de atleta, bandido e cavaleiro andante.

A maior parte dos críticos se encantou com "Drive", uma narrativa ambientada em Los Angeles, em torno de um motorista (Ryan Gosling) que trabalha como stuntman, isto é, como dublê em cenas perigosas de cinema. Por ser um piloto muito hábil, ele também participa de corridas e de assaltos, ajudando ladrões a fugirem rapidamente da cena do crime. Quase não fala, não sorri e nem chegamos a ouvir o seu nome, mesmo quando se encanta platonicamente com uma jovem vizinha do prédio em que mora, sem saber que ela (Carey Mulligan) é casada com um bandido prestes a sair do presídio.
Gosling trabalha numa linha totalmente minimalista, só movendo os músculos da face quando entra em combate corporal com alguém. O filme foi considerado como uma atualização do clássico “Taxi Driver”, de Martin Scorcese, em que o taxista Robert De Niro resolve interferir na mísera existência de uma prostituta adolescente interpretada por Jodie Foster, assim como o nosso motorista procura dar uma solução para a encrenca em que se encontra a personagem de Carey Mulligan − da mesma forma como um cavaleiro andante faria com a donzela atacada pelo dragão, como bem lembrou um colega.
Mas para os cinéfilos, o principal encanto deste filme dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, que construiu fama de cineasta alternativo por seus filmes sempre violentos, é o fato de captar com câmaras digitais de última geração um universo equivalente ao que diretores dos anos 1940 faziam em sombrio branco e preto, com histórias e personagens do mesmo tipo. Ou seja, Drive é quase um film noir, sem o claro-escuro das obras de Fritz Lang, John Huston e Orson Welles, filmado em alta-definição. Outro atrativo é a montagem que brinca com o tempo, fazendo-o alongar-se ou se condensar conforme o clima dominante. Na sequencia inicial, por exemplo, o protagonista anuncia que a fuga iria levar cinco minutos e é exatamente isso que ela dura no filme. Mais adiante, na cena da briga dentro do elevador, desde já destinada a se tornar antológica também pela brutalidade, o tempo é esticado para dar lugar ao único gesto de carinho entre o herói e a mocinha.
Drive
Drive
EUA, 2011, 100 min
gênero drama / ação / policial
Distribuição Imagem
Direção Nicolas Winding Refn
Com Ryan Gosling, Carey Muligan
COTAÇÃO
* * *
B O M

2 comentários:

Enaldo disse...

Eu vi este filme por quinze minutos. A estória do solitário vazio dando uma de garanhão no volante não me seduziu. Pareceu-me bem a mentalidade dos EUA nos anos setenta.

Rafael W. disse...

Eu já achei um dos filmes mais fascinantes desse início de década.

http://cinelupinha.blogspot.com/