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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Finalmente aquele "Rio" brasileiro na batata aparece de verdade num desenho animado

A gente nem lembra, mas, conforme a tradição hollywoodiana o desenho animado é um gênero essencialmente musical. Por isso, o filme “Rio”, do carioca Carlos Saldanha, teve a felicidade de contar com a colaboração de músicos bem brasileiros, como Sergio Mendes, Jorge Bem e Carlinhos Brown. O mesmo aconteceu nos anos 1940, quando Walt Disney fez aqueles filmes com o Zé Carioca − igualmente ambientados no Rio de Janeiro, como “Alô Amigos” (veja no Youtube). Havia o Ary Barroso, a Carmem Miranda, o Bando da Lua, mas o som produzido, e também a imagem desenhada sobre ele resultaram pasteurizados e sem vida, ou seja, aquele triste “samba de americano”, num Brasil totalmente falso e idealizado pela política de "boa vizinhança". De fato, os artistas da Disney não precisariam ter estilizado o visual do Rio, para embelezá-lo. Mas com Carlos Saldanha as coisas mudam e, logo de cara, temos um balé de pássaros na floresta da Tijuca se esbaldando ao som de uma batucada. Em seguida vemos imagens belíssimas e, ao mesmo tempo realistas, de um jogo de futebol, da praia de Ipanema, do bairro de Santa Tereza e até de uma favela. A história se baseia num tema ecológico: como a arara azul é uma espécie em extinção, um cientista brasileiro vai buscar um macho nos Estados Unidos para acasalar com uma fêmea no Rio de Janeiro. Aqui eles são raptados por um traficante de animais, mas recebem a ajuda de um tucano e de um buldogue, misturando-se a um desfile de escola de samba. A cena de maior impacto visual acontece quando uma personagem de nacionalidade americana desaba por acaso como destaque num carro alegórico em pleno no desfile na Sapucaí e, então, ela aprende a rebolar na marra. Assim como o arara americano, que não sabia voar porque passara a vida toda numa gaiola, precisa bater as asas para sobreviver. Se houvesse aqui uma "moral da história", poderia ser a de que a civilização só presta quando não aniquila o instinto. Ou, traduzindo para o mundo do cinema, o artista só se torna universal (como o animador Carlos Saldanha) quando não se esquece do cantinho onde nasceu.

RIO

EUA - 2011 - 105 min. – Livre

estreia 08 04 2010

Gênero Animação

Distribuição: Fox Films

Direção Carlos Saldanha

COTAÇÃO

* * * * *

EXCELENTE

3 comentários:

Enaldo disse...

O contraste deste desenho com o Rio Columbine chega a ser ofensivo.

Danielle disse...

Oi, Luciano! Tudo bom?

Quanto tempo faz que não nos falamos! Você está fazendo disciplinas no IA esse semestre?

Estou muito curiosa pra ver esse filme. Ele é bom assim, mesmo? Você é exigente, então essas 5 estrelas são um super convite.

A propósito, queria te oferecer o selo "Blogueiro Amigo". Embora eu nem sempre comente seus posts, sou leitora assídua de seu blog, que adoro. Passe lá no meu blog para pegar o selo!

http://ofilmequeviontem.blogspot.com/2011/04/selo-blogueiro-amigo.html

Bjos
Dani

Enaldo disse...

Assisti ontem. Não gosto de Sérgio Mendes e sua música brasileira de Los Angeles, bem chatinho. Fora isto, os gráficos são impecáveis, e as "cenas" em Santa Tereza e Lapa são uma escolha bem mais inteligente do que o senso comum de Copacabana/Ipanema.