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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quem quer ser um bilionário? “A Rede Social” explica como se consegue.

O título do filme é “A Rede Social”, já passando a idéia de que mesmo não sendo a única, o site Facebook sem dúvida já abriga a maior a mais importante rede do planeta, apesar de sua implantação ter se iniciado em 2003. O protagonista é seu criador, o universitário que se tornou o mais jovem bilionário da história.
Alguns comentaristas compararam ao "Cidadão Kane", outro célebre magnata midiático do cinema. Só que Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) é um personagem real e quase todos nós brasileiros que acessamos a internet mantemos algum tipo de contato com essa rede e milhões de usuários investem horas de seu tempo todos os dias ligados à ela.
É possível que nunca antes o cinema tivesse elaborado com tanta presteza o making of de uma invenção que tenha transformado tão rápida e profundamente o cotidiano da sociedade. O roteiro reconstitui dramaticamente como o invento foi concebido, sua implementação como empreendimento de grande sucesso e a batalha jurídica entre o seu inventor e outros que também se consideram autores da obra − entre os quais o brasileiro Eduardo Saverin. Como é sabido por todos, mesmo os que não viram o filme, chegou-se a um acordo e todos receberam indenizações milionárias. É por isso que, mesmo narrado do ponto de vista de Zuckerberg (o verdadeiro, na foto abaixo), é como se os reclamantes tivessem cedido os direitos sobre o uso de suas imagens no filme. Trata-se, enfim, de um impressionante documento da história atual construído enquanto ela se faz.
O filme traz a marca de um diretor de categoria: é David Fincher, capaz de atribuir identidade a filme ao espetáculo. Logo de início nota-se a rapidez dos diálogos e o nervosismo da edição, que tem a ver com o ritmo de vida do protagonista. O maior problema é manter a simpatia em torno de uma figura que descarta de seu negócio aqueles que lhe deram apoio e motivação em seu início. O jeito foi desenhá-lo como uma espécie de Macbeth cibernético que chora ao eliminar os competidores e que acaba sozinho e sonhando com a namorada perdida no começo de sua trajetória como empresário. Como se fosse difícil para um bilionário de 20 e poucos anos encontrar uma nova paixão.
Outro aspecto interessante é narrar essa trama como uma grande revanche dos nerds, sempre tão estigmatizados na cultura jovem. David Fincher descreve de uma espécie de empreendorismo dionisíaco, em que drogas, rock e muitas garotas (especialmente de origem oriental) compõem um cenário em que não há separação entre o trabalho e o lazer. Tudo parece uma aventura juvenil, em que pessoas de carne e osso podem exercer os papéis de anjos ou demônios. Tanto é assim que o momento no qual o Facebook alcança 1 milhão de cadastros é comentado na trilha sonora pela melodia de “O Castelo do Rei da Montanha”, de Edward Grieg.

Quem interpreta o brasileiro Eduardo é Andrew Garfield (de "Dr Parnasus", na foto abaixo), já escolhido para ser o futuro Homem Aranha, enquanto o cantor Justin Timberlake ("Alpha Dog") faz o papel de Sean Parker, o criador do controvertido site Napster. As conversas deste com Zuckerberg, vivido por Jesse Eisenberg ("Zumbilândia"), revelam o substrato ideológico das redes sociais que na teoria é tão libertário e anarquista quanto o ideário dos rebeldes de 1968. Só que muito, muito mais lucrativo.
A REDE SOCIAL
The Social Network
EUA - 2010 – 120 min. - 14 anos
estreia 03 12 2010
Gênero Drama / biografia / história
Distribuição Columbia
Direção David Fincher
Com Jesse Eisenberg, Justin Timberlake e Andrew Garfield
COTAÇÃO
* * * *
ÓTIMO

Um comentário:

Enaldo disse...

Meu caro Luciano,jamais discordei tanto de você. Este filme é um lixo, propaganda barata de tudo quanto é clichê sobre o capitalismo mundial. É tudo tão ridículo, cinema de segunda, prá lá de adolescente, consegue ser pior que o cisne negro.