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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lançado em DVD "Alice" de Tim Burton é tema de palestra na Livraria Cultura.

"Alice no País das Maravilhas" acaba de ser lançado em DVD, com ótimos documentários exolicando como foi feito. Por coincidência eu e a Jô Souza vamos dar uma palestra sobre o filme no dia 18, às 16 horas, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Todos vocês estão convidados. Para refrescar a memória, publico o encerramento do artigo que postei no dia 24/04/2010.
Tim Burton e a roteirista Linda Woolverton desenvolveram duas histórias para o filme, uma recheando a outra, como num sanduiche narrativo. Desta forma: no primeiro ato, vemos a história real de uma menina rica que vai ser pedida em casamento por um aristocrata; no segundo, ela cai num buraco e vive (ou sonha de novo com) tudo aquilo com que sempre sonhou; o terceiro ato conclui a história esboçada no primeiro, ou seja, ela volta para a realidade, recusa o pedido e tem um insight que a leva a embarcar em viajem mercantil para a China. Tim Burton e os executivos da Disney podem ter decidido essa linha para poder trabalhar com dois níveis de dramaturgia, fazendo com que o plano do discurso realista enfatize e valorize a narrativa fantástica transcorrida no País das Maravilhas. Foi, aliás, o mesmo estratagema de Guillermo Del Toro em “O Labirinto do Fauno” (El Laberinto del Fauno, 2006).
Mas os enigmas permanecem. Por exemplo, por que a Rainha Branca prepara feitiços num laboratório, como uma bruxa? O que significa esse o Chapeleiro Louco, sempre com um dedal de costura no dedo? Na passagem em que ele participa mais ativamente da trama, está criando e costurando chapéus para a Rainha Vermelha que irá experimentá-los um a um. Naquela parte do século XIX, ainda não existia a indústria de confecção e as roupas ainda não apresentavam marcas.
E esse personagem talvez possa ser visto como o protótipo de um estilista de moda, um designer excêntrico sempre em conflito com a padronização. Talvez o símbolo da manufatura de roupas e tecidos que se tornaria o carro chefe da industrialização inglesa e o núcleo de seu comércio exterior. Quem sabe a figura central de uma alegoria surreal e onírica sobre o colonialismo britânico, em busca das maravilhas da China. Em suma, essa estrutura de roteiro é um enigma que Tim Burton submete ao público, equivalentes aos que o próprio Lewis Carrol inventava e com os quais os personagens do livro desafiavam uns aos outros.

Um comentário:

João Bosco Maia disse...

Estive já por aqui e cá estou outra vez. Belo espaço para as letras, para a poesia, para o pensamento... para tornarmos mais claros nossos caminhos! Ao mesmo tempo em que te mobilizo para removermos este triste índice de 2 livros/ano por leitor brasileiro (na Argentina são dezoito livros/ano),
te convido a conhecer meus romances. Em meu blog, três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
Um grande abraço e boa leitura!