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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"A Troca": sexta é dia de Clint Eastwood dirigindo Angelina Jolie no papel de mãe


Um menino de nove anos desaparece e a polícia de Los Angeles, cansada das acusações de incompetência, tem o desplante de apresentar à mãe (Angelina Jolie) um outro garoto que fora instruído para assumir o papel. (foto acima) Evidentemente a mulher não aceita a troca e, por isso, é internada como louca num hospício. Atualmente isso talvez fosse impossível, mas, em 1928 as instituições democráticas americanas provavelmente ainda não estivessem consolidadas. Não havia corregedoria na polícia e ninguém falava em direitos humanos, num país em que a segregação racial era parte do cotidiano. Além disso, Los Angeles ainda não era a capital mundial do cinema, porque a indústria do áudio visual se achava num estágio mediano de desenvolvimento. Clint Eastwood enfatiza este fato, fazendo a heroína seguir pelo rádio a primeira cerimônia de premiação da Academia. O rádio era, na verdade, o principal meio de comunicação de massa e o herói coadjuvante do drama era um pastor presbiteriano (John Malkovich) que mantinha um programa diário durante o qual desancava a corrupção e a violência policial: um embrião, portanto, dos tele pregadores que continuaram até hoje navegando com sucesso nas mídias eletrônicas. O diretor também destaca este aspecto, mostrando uma emissora de rádio instalada nos fundos do templo. Mas também sublinha a eventualidade do vilão, sobre o qual não podemos comentar quase nada para não entregar o desfecho, pertencer ao credo católico. Longo demais (140 minutos), filme é instrutivo, vibrante, dotado de uma fluência quase líquida na narrativa, mas não tem a marca autoral de Eastwood e nem é mais original dentre aqueles que ele tem dirigido nos últimos anos. Note-se, por exemplo, o excesso de personagens épicos, isto é, que não assumem função dramática, mas apenas descritiva, como o advogado S.S. Hahn (Geoff Pierson) e o próprio reverendo radiofônico Briegleb. E, como exemplo, o casuísmo quase amadorístico da cena em que a protagonista se encontra prestes a tomar um eletrochoque no manicômio, quando é salva por eles, no último segundo. Exatamente como acontecia nos seriados de Tom Mix, aliás, mencionado por um dos personagens: uma coqueluche nas matinées da época.

2 comentários:

Pedro A. L. Costa disse...

Engraçado como este Clint Eastwood, outrora um canastrão de Hollywood, torna-se um dos diretores mais sensíveis e fantásticos da história do cinema. Quem viu Meryl Streep em Pontes de Madison que o diga. Eastwood também é diretor e protagonista de outro filme que está sendo lançado aqui. Aguardem.

Melanie Claire disse...

Luciano, voce tem um email de contato?