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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"O Curioso Caso de Benjamim Button": o filme americano mais original da temporada

Desta vez é possível de Brad Pitt leve um Oscar. Mesmo que isso não aconteça, sua atuação neste filme (estréia 16/01/2009) é memorável. Não só pelos aspectos técnicos envolvidos na personificação de uma pessoa que nasce idosa e vai se tornando cada vez mais moça, mas pela ginástica de tornar plausíveis todos os relacionamentos que estabelece ao longo da vida. O filme de David Fincher como um todo é um manifesto em favor da flexibilidade e da mutabilidade do ser humano. Assim são as personagens centrais, como aquela vivida magníficamente por Cate Blanchet, e a própria cidade de New Orleans, principal palco da história. Como se o surpreendente roteiro de Eric Roth (Forrest Gump - 1994) reproduzisse a máxima taoísta segundo a qual o junco é mais forte do que o carvalho: numa tempestade, a grande árvore é partida ao meio pelo vendaval, mas, com toda a sua fragilidade, a erva flexível se dobra ao vento e ergue-se novamente.

A maquiagem não é o único elemento a explicar a excelência do resultado obtido na construção deste personagem que nasceu velho e morreu, 86 anos depois, com a forma de um recém-nascido. A questão é que ele veio ao mundo com o tamanho de um bebê e, à medida em que ia crescendo, foi se tornando mais jovem. Observe-se na foto acima, que ele tem a idade, o gestual e o tamanho de um garoto de 10, mas a forma física de um homem de 76. Ou seja, o mérito é também da computação gráfica, que o fez menor que os demais atores representando na mesma cena. E, acima de tudo, da habilidade do ator que, ao longo do filme foi marcando visualmente as profundas modificações de Benjamim Button, pela voz, pela expressão corporal e pelo olhar. Esse é um digno exemplo da grande arte da "caracterização" que, no decorrer da história do cinema, fez a glória de alguns artistas inesquecíveis, como Lon Chaney.

Sob a direção de Robert Julien, O Fantasma da Ópera de Lon Chaney é sem dúvida o rosto mais aterrador do cinema mudo, porque foi concebido sem a máscara que, desde então, vem acompanhando o personagem em todas a suas versões. E, principalmente, porque foi obtido com um mínimo de maquiagem. Além do auxílio dos recursos externos, o verdadeiro intérprete se transfigura quando aciona uma alquimia de emoções e posturas que vem de dentro para fora. Comparemos a face do monstro (acima) com a do ator, fora de qualquer personagem (abaixo).

Lon Chaney Senior (1883-1930) é considerado até hoje o mais importante "ator característico" da história do cinema, chegando a ostentar o apelido de "o homem das mil caras". A capacidade de transmutação de seu rosto no clássico O Fantasma na Ópera foi a essência com a qual brilhou em mais de 160 filmes, entre 1920 e 1930. Tanto que passou a fama para seu filho (abaixo), num tipo de legado raro no cinema e que é mais comum no ambiente do circo. E a maquiagem? Qual a sua importância nesse campo?

O primeiro Oscar de maquiagem só foi entregue em 1982 para Rick Barker (Star Wars), por seu trabalho em O Lobisomem Americano em Londres. (foto abaixo) Prova de que na tradição do cinema americano, essa arte não merecia tanto reconhecimento quanto as demais que participam do cinema. Mas, de fato, era essencial, especialmente em gêneros como o cinema de horror. Basta comparar o trabalho de Barker com a caracterização de Lon Chaney Jr (1906-1973) em O Lobisomem, de 1941, na imagem acima. Provavelmente isso ocorria porque as transformações físicas no design de aparência dos personagens fossem, até então, atribuídos prioritariamente ao desempenho dos atores, como o célebre Lon Chaney, pai deste que deu vida ao lobisomem, no filme de George Waggner. Abaixo, David Naughton sob a direção de John Landis.

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei a matéria! Muito bem observado a importância da maquiagem e a interação com o trabalho de interpretação dos atores para a construção dos designs de aparência dos personagens. Quase sempre posta como coadjuvante, parece exercer papel principal entre as técnicas cinematográficas.
Adriana Vaz Ramos

Joana Wood disse...

Amei o filme, é tocante, profundo, não achei cansativo apensar de ser bem longo.
O roteiro comc erteza é muito original!