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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Jim Jarmush se reinventa, como de costume, em seu "Paterson"



Adam Driver e Golshifteh Farahani em cena como namorados

As pessoas que vão assistir “Paterson”, do celebrado Jim Jarmush, assumem posturas diferentes em relação ao filme. Boa parte se mostra ainda marcada pela lembrança do icônico “Daunbailó”, que ele fez aos 33 anos e o colocou criador num patamar de prestígio geralmente só atingido por veteranos. Desde aquele trabalho de 1986, esse cineasta tem lançado filmes no mínimo inusitados e surpreendentes. Como se ele se encontrasse constantemente em fuga da repetição.
De fato, ele sempre faz um filme diferente do outro. Basta observar obras tão diferenciadas, como “Flores Partidas” de 2005 e “Amantes Eternos” de 2013. E “Paterson”, por sua vez vem sendo amplamente considerado como “um filme poético”. De fato algumas coisas estranhas se manifestam no roteiro. Em primeiro lugar a misteriosa coincidência: Paterson é o nome da cidadezinha real do estado de Nova Jersey onde acontece a história, e é também o nome do protagonista.

O personagem se dedica a duas atividades aparentemente antagônicas: ele trabalha como motorista de ônibus e também é poeta. Repete o mesmo trajeto todos os dias e sua rotina é feita de gestos que se reiteram, dia após dia: toma o café com a esposa, passeia com o cão, bebe uma cerveja no bar, escreve versos na hora do almoço e assim por diante. O personagem é interpretado por Adam Driver – um dos que fez o papel de padre no filme “Silêncio”, de Martin Scorcese. Por outro lado, a talentosíssima Golshifteh Farahani, que interpreta a esposa dele é uma celebridade no cinema iraniano e europeu.


O protagonista Paterson (Adam Driver), que tem mesmo nome de sua cidade

Acontece que, igualmente, no sentido estrito e preciso desse adjetivo, a designação de poético se mostra adequada porque, acima de tudo, a própria estrutura do roteiro é construída em função dessa qualidade. Além da musicalidade dos diálogos, ao assistir o filme, poderemos notar que as suas partes se intercalam e se repetem mais ou menos como as estrofes e as rimas de uma poesia. Foi estudando a composição “O Corvo” de Edgar Alan Poe, com aquele pássaro que repetia“Nunca Mais, Nunca mais”, que o linguista Roman Jacobson definiu o conceito de função poética da linguagem.

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