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segunda-feira, 15 de maio de 2017

"A Grande Ilusão", de S. Zaillin, é um filme muito temático para os dias correntes




Sean Penn e Mark Ruffalo integram o seleto elenco do longa

Talvez o filme mais sugestivo deste momento date de 2006 – tem pelo menos mais de 10 anos – e até hoje ainda não foi lançado nos cinemas. Trata-se de “A Grande Ilusão”. Pode parecer mentira, mas esse foi um dos mais importantes filmes americanos produzidos em 2006 nos EUA e, no entanto, só foi lançado no Brasil em DVD. 
O título original deste filme escrito e dirigido por Steven Zaillin é “All the King's Men” e conta com um elenco arrasador, em que o protagonista é Sean Penn. Mas veja só o nível dos coadjuvantes: Kate Winslet, Jude Law, James Gandolfini, Mark Ruffalo e Anthony Hopkins... e trazendo como atração adicional a elegância de Patricia Clarkson – que, além de atriz, é uma das melhores narradoras de documentários para TV, como "For the Love of Movie: The Story of the American Film Criticism".
A proposta é contar a história de Huey Long, um político real que tinha o apelido The King Fish (ou seja, Tubarão) por causa da ferocidade no palanque. Seus discursos eram incomparáveis e nos debates ninguém o derrotava.


Sean Penn está impecável neste seu papel de Huey Long

Na verdade, o mais importante era o conteúdo sedutor das suas propostas, geralmente inflamadas pelo uísque. Vejam, ele simplesmente prometia a abolição da desigualdade social. Nada menos do que a repartição geral da riqueza nos EUA. Pra completar, ele combinava um estilo populista, mas, ao mesmo tempo comandava a corrupção no Estado da Louisiana. 

“A Grande Ilusão” é a refilmagem de um clássico de Robert Rossen que ganhou três Oscars em 1949: melhor filme, melhor atriz coadjuvante e melhor ator, para Broderick Crawford. Aliás, esses dois títulos se acham disponíveis em DVD no mercado brasileiro. 

Ambos os filmes se baseiam num livro de Robert Penn Warren (1905 – 1989) premiado com o Pullitzer e considerado um dos mais importantes romances americanos: a biografia disfarçada de um populista dos anos de 1930, o qual certamente chegaria à presidência se os escândalos da sua administração não fossem revelados. 

"All the King's Men" de 1949: vencedor do Oscar de Melhor Filme
Seu governo foi uma mistura de obras públicas gigantescas, feitas sem licitação e superfaturadas, com a sistemática compra de votos da oposição. O curioso é que, no começo da carreira política, ele era um trabalhador que ganhou notoriedade denunciando a corrupção das elites e, mais tarde, depois de apanhado com a mão na massa, alegou que não sabia de nada e jogou a culpa em alguns assessores. Sean Penn de 2006 está mais exuberante e, mesmo assim, mais natural que Broderick Crawford em 1949 no papel do protagonista, que morreu em 1935. Interpretando o marqueteiro do Tubarão, Jude Law realiza um dos melhores trabalhos de sua carreira.

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