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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

“Django livre” de Tarantino uma sofisticada estilização do "espaguete western"


Entre os concorrentes ao Oscar de melhor filme, está “Django livre”, de Quentin Tarantino, obra que se revela até superior ao empolgante “Bastardos Inglórios”, com o qual ele concorreu a oito Oscars em 2009, mas só ganhou um: o de coadjuvante para Cristoph Waltz. Agora esse prodigioso ator germânico interpreta um dentista alemão que se dedica ao ofício de caçador de recompensas, no oeste dos Estados Unidos às vésperas da Guerra de Secessão. Ou seja, numa atividade típica do faroeste, vive de eliminar bandidos procurados “vivos ou mortos”. Exercitando uma comicidade verbal ainda mais afiada que no filme anterior, seu lema é “flesh for cash” (“carne por dinheiro”) e sua personalidade é uma mistura de cinismo, crueldade, frieza e cultura. 
É no exercício dessa sangrenta ocupação que ele liberta o escravo Django interpretado por Jamie Foxx e o transforma em seu parceiro de trabalho. Este o convence a procurar e resgatar a sua amada, vivida por Kerry Washington, com quem Foxx contraceou em “Ray” (2004). Ela é escrava de uma fazenda que pertence ao personagem de Leonardo di Caprio – excelente no papel de um repulsivo latifundiário do sul, que tem como homem de confiança um escravo bajulador e sem caráter, desenhado com perfeição por Samuel L. Jackson. 
Numa entrevista recente, o cineasta Werner Herzog declarou que é possível fazer um filme sobre a ópera, mas não usar a linguagem operística no cinema. Tarantino, porém, prova que o autor de “Fitzcarraldo” (1982) não tem totalmente razão e, por meio desse casal de escravos, ele faz da lenda germânica de Sigfried e Brunhilde a espinha dorsal do filme e uma referência à ópera de Wagner. Nesse sentido, ele se esmera nas entradas triunfais dos heróis, carregando nas emoções da trilha sonora e na câmara lenta. 
O filme poderia ser visto como uma paródia de "espaguete western", mas na verdade é uma estilização, assim como "Crime e castigo" de Dostoiévski foi para a lineatura policial popular. Tarantino continua sendo o mestre dos diálogos e das situações desconcertantes, tanto para o público quanto para os personagens. Marcas de seu estilo, o humor e a ironia servem aqui para enfatizar a desumanidade da escravidão. Se o tema de “Bastardos Inglórios” era basicamente a vingança, “Django livre” fala de justiça social. 
DJANGO LIVRE 
Django Unchained
estreia 18 01 2013
gênero faroeste/ história/ social
EUA, 2012, 165 min, 16 anos
Distribuição Sony Pictures
Direção Quentin Tarantino
Com Cristoph Waltz, Jamie Foxx, 
Leonardo Di Caprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson
COTAÇÃO
* * * *
ÓTIMO


2 comentários:

Gilberto Cardoso dos Santos disse...

Concordo plenamente com seu comentário. Filmaço!

Enaldo Soares disse...

Desconheço um filme que tenha "dessensibilizado" e "desconstruído" a percepção sobre a escravidão como neste filme.

Vida longa a Tarantino, Chistoph Waltz, Samule Jackson e Leonardo DiCaprio