Encontre o que precisa buscando por aqui. Por exemplo: digite o título do filme que quer pesquisar

domingo, 29 de abril de 2012

Como se explica o estrondoso sucesso deste novo filme sobre "Os Vingadores"?


Talvez o maior desafio que se apresenta ao roteirista seja o de promover a identificação entre o público e o personagem central, isto é, criar e manter o interesse acerca de suas ações, dentro da trajetória para ele desenhada. No caso de “OsVingadores”, o próprio diretor Joss Whedon (“Toy Story” – 1995) precisou se apoiar na experiência de Zack Penn (“O Incrível Hulk” - 2008 e “X-Men” - 2003) para lidar com sete protagonistas. Foi um trabalho diferente, por exemplo, do que se fizera com os sete anões na animação Branca de Neve, na qual todos eles são coadjuvantes. E mesmo com “Os Sete Samurais” (Akira Kurosawa – 1954) em que o protagonista é o líder, interpretado por Takashi Shimura.

Não há fórmulas para garantir a mencionada identificação, mas existem alguns cuidados básicos a serem tomados, especialmente quando se trata de figuras quase indestrutíveis como os super-heróis. Vários séculos antes de Cristo, Homero já tomava o cuidado redigir a lenda de Aquiles, dotando-o de um calcanhar onde sua invulnerabilidade não funcionava. Ou seja, sem uma fratura interior, ou um ponto fraco que o torne semelhante aos humanos, não há como o expectador manter a curiosidade por alguém cuja vitória é inevitável.

Neste filme, portanto, Whedon e Penn, se encarregam de orquestrar uma coleção de fragilidades psíquicas e contradições internas que acabam por se tornar a verdadeira história a ser contada. O argumento que lemos na sinopse serve apenas para alinhavar esse coquetel de conflitos: Loki, o semideus nórdico e contraparte maligna de Thor ativa um portal cósmico para permitir a invasão da terra por uma raça de seres míticos e mortíferos. Como esse ataque se inicia por Nova York, foi notada aí uma alusão ao dia 11 de setembro. Pode ser, mas a essência do espetáculo se encontra na arena em que se defrontam os hiper superegos e as formidáveis neuroses de cada um.

Foi preciso estabelecer, no entanto, uma hierarquia entre os protagonistas, tal como aparece no cartaz do filme: em primeiro plano, estão os antagônicos – Thor e o Homem de Ferro. Em segundo plano, vemos o Falcão e a Viúva Negra, ambos perigosamente próximos do mal e, por isso, os mais ambíguos. Ela uma ex-espiã russa e ele que teve a mente temporariamente controlada pelos inimigos. Ao contrário do que ocorre na obra citada de Kurosawa, Nick Fury o líder do grupo, se situa atrás dos demais.

Acertadamente, porém, todos os elementos do espetáculo, inclusive as passagens de pura ação e efeitos especiais, se colocam em função desse núcleo dramático, como meros efeitos de seu desenvolvimento. Uma das sequencias mais visualmente arrebatadoras obedece rigorosamente a essa norma: do topo de seu edifício em Manhattan Tony Stark se atira ao ar sem armadura, mas, ela se instala em seu corpo, à medida que ele vai caindo e passando pelos pavimentos do prédio. Originário do mundo sobrenatural, em outra cena Thor entra em choque com os valores terrenos do Homem de Ferro, numa sarabanda de marteladas verbais que confirmam o nosso ponto de vista. Ele pergunta: “o que seria você, se não fosse essa armadura?”. Ao que Tony Stark responde: “Apenas um bilionário, playboy, gênio e filantropo”. Em resumo o que salva o mundo dos super-heróis, pelo menos neste filme, é o roteiro de Whedon e Penn, com seus diálogos saborosos e cortantes – como o escudo do Capitão América 

OS VINGADORES - THE AVENGERS 3D
EUA, 2012, 136 min, 12 anos
estreia 27 04 2012
gênero / aventura / ficção / quadrinhos
Distribuição Disney
Direção Joss Whedon
com Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson,
Mark Ruffalo, Jeremy Renner e Chris Hemsworth
COTAÇÃO
* * * *

ÓTIMO

domingo, 22 de abril de 2012

Parabéns ao Cine Olympia de Belém do Pará, pelos seus cem anos de vida!


Nossa homenagem a uma sala de cinema que completa 100 anos de idade no próximo dia 24 de abril. É o cinema Olympia, situado no centro de Belém do Pará. Em 1912 os cinemas da cidade eram barracões com bancos corridos e um lençol como tela. Mas no Olympia a sala de espera, era decorada com mármore de Carrara, com uma “banda de música” e um placar anunciando que parte do filme estava sendo projetada. O luxo do Olympia foi desaparecendo com o tempo e em 1946 foi vendido para Luis Severiano Ribeiro, dono de um circuito nacional. Mas Ribeiro só reformou o Olympia em 1960 quando, depois de protestos estudantis, colocou ar condicionado e poltronas estofadas. Daí em diante correu uma programação de rotina, nem sempre apegada aos lançamentos do sudeste. Com o fim dos cinemas de rua, o grupo exibidor achou que deveria encerrar as suas atividades no Pará. Mas naquela que seria sua ultima sessão em 2006, a população foi protestar contra o fim daquela “testemunha da história da cidade”. A prefeitura municipal, então,  alugou o cinema, que passou a se chamar “Espaço Municipal Cine Olympia”, dotado de uma programação diferente desenhada por críticos de cinema. O Olympia, portanto, pode ser considerado o mais antigo cinema do país. Um exemplo para as demais cidades e orgulho dos paraenses. Neste ano do centenário, deve ser publicado um livro contando a sua heroica trajetória, além de uma programação especial para rever os passos dessa história.

O novo filme de Beto Brant: "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios"

Ao contemplar os peixes num aquário, não perguntamos de onde eles vêm, nem que caminhos percorreram até se encontrarem ali. Apenas observamos o seu bailado imóvel e seu silencioso canto. Apesar da transparência, o vidro exerce aí função equivalente a uma cortina cênica, imóvel o bastante para manter a gente e os peixes em mundos para sempre apartados e complementares, isto é, na oposição entre palco e platéia. Fato é que o peixe nos fita ao mesmo tempo em que o fitamos. Batemos no vidro, jogamos migalhas de pão ou forçamos qualquer outro tipo de feedback, porque queremos ter certeza dessa interação. É mais ou menos isso que os filmes de Beto Brant e Renato Ciasca fazem conosco. Assistimos ao material filmado, mas por sua vez, seus personagens também podem estar nos espiando. O filme não quer ser confundido com mero reality show e pode estar dizendo que sabe quem somos nós, sentados ali no escuro dos cinemas.
Neste Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, por exemplo, há uma cena na qual uma prostituta é apresentada a um pastor evangélico – encarnados por pai e filha: Antonio Pitanga (Barravento) e Camila Pitanga (Saneamento Básico). Nesse ponto, os diretores autorizam os atores a passar por cima de seus personagens, para fazer uma piadinha com aquela parte da platéia que tem a informação desse parentesco. No longa anterior de Beto Brant (O Amor segundo B. Schiamberg – 2010), feito sem a colaboração de Renato Ciasca, tudo isso se fazia mais marcante, porque as filmagens foram realizadas imitando mesmo uma situação de reality show: Gustavo Machado (Bruna Surfistinha) e a artista plástica Marina Previato trancaram-se num apartamento durante várias semanas, enquanto oito câmaras escondidas gravavam tudo o que seria mais tarde editado. Aquela experiência, aliás, serviu de laboratório para esta produção mais recente, em que a improvisação orquestrada dos intérpretes sob o olhar discreto da câmera é o procedimento fundamental da encenação.
Há um livro de Marçal de Aquino como ponto de partida e um roteiro que dele foi extraído. Mas a montagem final é tudo o que recebemos dele e, conforme as decisões dos irrequietos diretores, os personagens são exibidos vivenciando de cara a essência de seus conflitos, sem aquela preparação há séculos recomendada pela dramaturgia. Inicialmente, pouco ou nada sabemos acerca de sua gênese, ou de suas motivações, ainda que vez por outra um deles coloque a cabeça para fora do virtual aquário e fale de si. É o que vemos acontecer com o personagem de Zecarlos Machado (A Casa de Alice): um pastor evangélico tentando explicar como a bíblia o salvara da degradação. Com jeito de discurso ensaiado, essa fala visa persuadir uma mulher de lindos lábios a experimentar o mesmo tratamento. Caída de bêbada e drogada no meio da rua, ela é Camila Pitanga representando uma prostituta urbana. Após uma cena de exorcismo, tão convincente que credenciaria Machado dedicar-se ao ofício de pregador, a moça aceita se casar e mudar com ele para uma missão religiosa no oeste do Pará.
O empenho dos intérpretes nos leva a acreditar que aquelas piedosas palavras ditas e ouvidas foram os instrumentos da mudança. Mas a competência deles nos deixa a suspeita de que, para o homem, tudo não passasse de uma cantada exemplar enquanto, para a mulher, seria a oportunidade de arranjar marido, comida e roupa lavada. Já na remota Santarém, em vez de montar outro aquário, os diretores nos apresentam dois peixes fora d’água, isto é, um jornalista e um fotógrafo sofisticadamente pervertidos pela civilização sulista, na pele de Gero Camilo e Gustavo Machado. Este, mesmo sem isca nem anzol, logo captura o peixão que é a personagem de Camila Pitanga em estado de múltipla abstinência. Parece, entretanto que em lugar de se esconder, os amantes procuram tornar público o seu amor proibido e nem se preocupam em fechar a janela.
De fato, o vidro do aquário não é sequer arranhado pelas arestas do velho triângulo amoroso. O que o fará rachar, esparramando a tragédia pelo chão do roteiro é, como veremos, o cerne da estrutura dramática inventada por Brant e Ciasca. Ou seja, a estratégia de incluir no filme cenas quase documentais referentes a um problema social típico da região − um comício contra o desmatamento, uma barcaça escandalosamente repleta de toras de madeira nativa – e outras de puro simbolismo, como a performance musical de uma espécie de ritual xamânico encenado uma mulher branca. Essas intromissões do mundo presente funcionando como enunciações da desgraça teriam outro peso na narrativa se o pastor e marido traído não tivesse se tornado uma liderança popular tipo Chico Mendes ou Dorothy Stang.

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS
Brasil, 2012, 100 min, 16 anos
estréia 20 04 2012
gênero drama / social
Distribuição Columbia
Direção
Beto Brant e Renato Ciasca
Com Camila Pitanga, Zecarlos Machado,
Gustavo Machado, Gero Camilo
COTAÇÃO
* * * *
ÓTIMO

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Em "À toda prova", Steven Soderbergh lança Gina Carano: versão feminina de Bruce Lee.


“À Toda Prova” é mais um filme de Steven Soderbergh que não cabe facilmente numa classificação apressada. Espiã contratada por uma agência que presta serviços perigosos a diversos governos é traída por seus superiores e decide eliminá-los para sobreviver. Aparentemente é um espetáculo de ação dirigido ao mercado, como foi “Doze Homens e um Segredo” (2001), que tinha um elenco estelar, encabeçado por George Clooney e Brada Pitt. Por sua vez, “À Toda Prova” tem astros de renome, como Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Douglas e Ewan McGregor, mas a atriz principal é a quase desconhecida Gina Carano.
Digo quase, porque ela é campeã de MMA, ou seja, Artes Marciais Mistas – aquela mistura de boxe tailandês, karatê e outras técnicas mortíferas de luta. Com ela como protagonista absoluta, isto é, atuando em todas as cenas, Soderbergh desenvolve o lado, digamos, experimental desta obra. Se nos filmes com Angelina Jolie (“Salt”) as sequencias de ação física são evidentemente editadas e dependem da participação de doublés, isso não é necessário com Gina Carano que enfrenta os bandidos de verdade, mais ou menos como fazia Bruce Lee (“Operação Dragão”). Numa cena de perseguição, por exemplo, ela salta muros e pula de um telhado para outro sem truques. Trata-se, portanto, de um espetáculo concebido em torno da performance dessa intérprete que permite muito mais espontaneidade e fluência na montagem.
Há momentos em que o desempenho dos atores é tão envolvente, do ponto de vista visual, que o diretor se permite prolongar a cena um pouco mais do que pede a dramaticidade da história, transformando-a numa atração em si. É o que acontece numa passagem, antológica para o gênero, em que ela luta com Michael Fassbender (“Shame”). Além disso, é uma figura assombrosamente fotogênica, de uma beleza rústica, que lembra as estátuas gregas do período clássico. Um nome que poderá brilhar em Hollywood.
À Toda Prova
Haywire
estreia 13 04 2012
Gênero ação / espionagem / artes marciais
EUA, 2011, 94 min, 14 anos
Distribuição Imagem Filmes
Direção Steven Soderbergh
Com Gina Carano, Michael Fassbender,
Michael Douglas, Antonio Banderas, Ewan McGregor
COTAÇÃO
* * *
B O M

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Como será que se sustenta um ator ou um diretor de cinema entre um filme e outro?

Essa pergunta vale, aliás, para todos os artistas e técnicos que trabalham em cinema e nas demais artes e espetáculos: roteiristas, maquiadores, fotógrafos, cenógrafos etc. A gente sabe que muitos, se não a maioria, passam necessidades e às vezes mudam de profissão. A boa notícia é que a Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 3269/12, do Senado, que concede seguro-desemprego a artistas, músicos e técnicos em espetáculos de diversões. Se aprovada, a proposta será incluída na Lei 7.998/90, que regulamenta a concessão do benefício. Atualmente, a legislação determina que tem direito ao seguro-desemprego apenas o trabalhador demitido sem justa causa e aquele comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de trabalho escravo. Pela proposta, o artista, músico ou técnico em espetáculo de diversões desempregado terá que atender a alguns requisitos como, por exemplo, comprovar que trabalhou na área respectiva ao menos 30 dias nos 12 meses anteriores à data do pedido do seguro, e não estar recebendo nenhum outro benefício previdenciário de prestação continuada. Além disso, terá que comprovar a realização de recolhimentos previdenciários sobre o período de trabalho e não possuir renda de qualquer natureza que seja suficiente para manter sua família.

“Jovens Adultos” marca o amadurecimento da dupla Diablo Cody e Jason Reitman

“Jovens Adultos” (Young Adult) tem como atrativos principais dois ganhadores de Oscar: a atriz Charlize Teron (Monster – Desejo assassino – 2003) e a roteirista Diablo Cody (Juno – 2007). O diretor é Jason Reitman, que trabalhara com Diablo Cody em “Juno” e que filmara outras histórias especialmente espertas e imaginativas, como “Obrigado por Fumar” (2005) e “Amor sem escalas” (2009). Em seu início, o filme adota francamente um tom de comédia dos mais costumeiros: aos 37 anos, uma escritora de livros juvenis encara um momento difícil na carreira e, percebendo que as bebedeiras diárias se tornaram insuficientes para amenizar as dores do cotidiano, planeja uma virada radical em sua vida. Abandona Minneapolis e regressa para a pequena comunidade do interior onde crescera, decidida a reatar o antigo romance com o namorado dos tempos de colégio (Patrick Wilson, na foto acima), ainda que agora ele esteja casado e com um filho recém nascido.
A comicidade dessa etapa se sustenta nos cortantes diálogos que seguem a tradição do humorismo cinematográfico americano, cultivada desde os anos 1930, de Franka Capra a Groucho Marx. Por trás deles, no entanto, se esgueira a verdadeira face do filme, que consiste num doloroso jogo de desencontros e decepções por parte da protagonista e dos demais personagens com ela envolvidos. Aos poucos, as máscaras vão se soltando e as aparências revelando a sua inútil tentativa de maquiar as coisas amargas da vida. E aí se percebe que a roteirista e o diretor evoluíram muito desde aquela simpática fábula adolescente que foi Juno, tornando-se enfim mais sensíveis às agruras do mundo, ou seja, mais adultos.
JOVENS ADULTOS
Young Adult
EUA, 2012, 94 min, 12 anos
estreia 06 04 2012
gênero comédia / drama / social
Distribuição Paramount
Direção:Jason Reitman
Com Charlize Theron, Patrick Wilson, Elizabeth Reaser
COTAÇÃO
* * *
B O M

"12 Horas" é o primeiro longa do pernambucano Heitor Dhalia em Hollywood.

Este primeiro filme dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia (À Deriva e O Cheiro do Ralo) nos Estados Unidos não teve um caminho fácil junto ao público americano. De orçamento modesto, “12 Horas” (Gone) foi lançado há um ano sem exibição prévia para os críticos, o que deve ter provocado certa antipatia geral, refletida na fria recepção por parte da imprensa norte-americana. De fato, a história não se mostra fora do comum e foi por lá considerada uma costura de velhos clichês. Em Portland, no Oregon uma moça (Amanda Seyfried) fora atacada por um maníaco sexual assassino que a prendera dentro uma cova no bosque próximo à cidade. Ela conseguiu escapar do cativeiro, mas a polícia jamais encontrou o suspeito e nem o seu esconderijo. Por isso, desde que se recuperou do ataque, a menina teme uma revanche do criminoso e segue procurando o local onde estivera presa.


.O filme se inicia com o desparecimento de sua irmã, o que a leva a se queixar à polícia, temendo o retorno do tarado. Mas desta vez, como no antigo conto infantil, os detetives não a levam a sério. Na tradicional narrativa de Esopo, ninguém acreditava mais naquele menino pastor de ovelhas que, certa vez, tinha inventado a presença de um lobo, só para se divertir à custa da aldeia. Nem mesmo quando um lobo realmente apareceu e devorou todo um rebanho. Em resultado da indiferença por parte das autoridades, a garota passa a investigar o desaparecimento da irmã por conta própria, chegando a ser perseguida pelos próprios policiais por causa de alguns abusos cometidos. Trata-se, como vemos de uma pequena fábula contemporânea, centrada no conflito entre o indivíduo e o estado. O roteiro pode ser mesmo de curto alcance, mas a direção de Heitor Dhalia é impecável, sempre intensificando a tensão da narrativa e o interesse pelo destino da protagonista − que de resto é bem construída enquanto personagem porque, mesmo sem credibilidade, ela consegue nos engajar por inteiro no frenesi dessa busca.

12 HORAS
Gone
EUA, 2012, 94 min, 12 anos
estreia13 04 2012
gênero suspense / crime
Distribuição Paris Filmes
Direção Heitor Dhalia
Com Amanda Seyfried e Jennifer Carpenter
COTAÇÃO
* * *
BOM